XIV Caramulo MotorFestival

    Caramulo. Uma vila no distrito de Viseu que uma vez por ano se torna a Meca dos petrolheads de todo o país e atrai milhares de visitantes e participantes para visitarem o Caramulo Motorfestival. E torna-se difícil para nós explicarmos por palavras o que por lá se vê, ouve, sente e cheira… sim, o cheiro dos motores, da borracha, dos interiores em pele e apontamentos de madeira e do… ok, já perceberam. É um verdadeiro manjar dos sentidos e que para nós representa um importante marco no nosso ano. Já o ano passado estivemos presentes e este ano fomos acompanhar o Clube OPC Portugal (cujo artigo mostrámos no anterior domingo) e pretendemos continuar a fazer uma reportagem fotográfica nos próximos anos.

    O XIV Caramulo Motorfestival celebrou os 40 anos da histórica Rampa do Caramulo com três dias regados de octanas e de muita audiência. A edição de 2019 bateu recordes de público com praticamente 40 mil pessoas. Com uma organização partilhada entre o Museu do Caramulo e o Automóvel Clube de Portugal este festival para os fãs dos motores (pois não só de carros se faz esta festa) continua a crescer de ano para ano não só em estatísticas de visitantes como também em marcas presentes, participantes das diversas modalidades e veículos presentes nos diversos passeios e encontros. Outro marco histórico atingido este ano foi as visitas ao Museu do Caramulo para ver os 10 SuperCarros lá presentes, 6 mil pessoas, o número mais alto desde 1953, altura em que abriu portas pela primeira vez.

Os italianos ainda são dos mais apreciados no Caramulo Motorfestival.
Mais um encontro com este fantástico QV.

   Pelo meio das bonitas silhuetas dos clássicos e desportivos, vimos mesmo muitas pessoas. Os tais 40 mil formaram uma moldura humana ímpar e pelo meio, circulavam alguns dos pilotos convidados para realizarem subidas aos 2,8 km da mítica Rampa do Caramulo ou para fazerem batismos ao volante de alguns modelos presentes (Porsche Cayman, Fiat Abarth, Alfa Romeo Guilia QV ou Civic Type-R). Alguns nomes a destacar: Markku Alén, Filipe Albuquerque, Nini Russo, Pedro Salvador, Francisco Sande e Castro e o já «da casa» André Villas-Boas. Temos ainda de destacar o momento alto do evento, a subida da Rampa Histórica Michelin do Bugatti Type 35B Grand Prix pilotado por Filipe Albuquerque e acompanhado do Bugatti Baby (reprodução à escala 1:2 do Type 35B), tal como em 1927 o fundador da Bugatti Etore Bugatti idealizou.

     Além das várias subidas da rampa em diversas modalidades, o Caramulo Motorfestival 2019 contou também com o já habitual festival aéreo patrocinado pela Prio e participação de F-16 da Força Aérea Portuguesa, pistas de todo o terreno, espectáculo de drift e inúmeras bancas de venda de automobilia e derivados. Havia ainda uma pista de Trial, uma secção dedicada à evolução motora da PSP e uma zona dedicada à marca Yamaha com o projecto Yard Built. Também os mais pequenos tinham ao dispor a Motorlândia FunPark com karts elétricos, inúmeras máquinas de jogos, comboio e uma pista de corridas. Além de tudo isto, pela Vila estavam espalhadas zonas de descanso e tascas para matar a fome nos intervalos de tanta atividade que esta edição de 2019 trouxe.

      O nosso dia no Caramulo foi, como já referimos, preenchido em parte pelo Clube OPC Portugal mas houve tempo para alguns cliques sobre o Motorfestival em si. Tanto antes do almoço nos claustros do Museu como depois, a oferta era tanta que acabamos por nos distrair a apreciar os carros e motas e deixamos as fotografias para segundo plano. Mas ainda assim e se há local em que a nossa atenção se focou em juntar ambos (apreciar os carros e fotografá-los) foi mesmo na exposição SuperCarros. 10 dos mais exclusivos supercarros do planeta juntos num pequeno espaço para que os possamos apreciar é algo único e merecedor de toda a nossa atenção.

    E por onde começar a falar desta exposição? Talvez pelo considerado ser o primeiro supercarro do mundo, o Lamborghini Miura P400 SV (que no exterior do Museu tinha companhia de outro, na posse de Villas-Boas). Sem fazer sombra a este, mas capaz de roubar os olhares, o Bugatti EB110 ao lado do Ferrari F40. Não imaginam a emoção para nós ao escrever estas palavras ao mesmo tempo que revemos as fotografias destes modelos. Ver os automóveis que na nossa infância tínhamos na parede do quarto em poster, em metal e borracha, ao vivo, é indiscritível e merecedor de destaque. Mas adiante, há mais supercarros para falar sobre. O Ford GT que como sabem celebrou na altura do seu lançamento os 40 anos do Ford GT40 abria a porta para outra sala onde o «monstro verde» dava as boas-vindas – falamos do Mercedes-Benz AMG GT-R. Atrás espreita o McLaren 675 LT MSO (limitadissimo modelo da marca atualmente em comercialização e dos mais exclusivos de sempre).

O Miura é e continuará a ser um dos mais belos modelos de sempre a sair das linhas de montagem da Lamborghini.

    Mais à frente, o Ferrari LaFerrari; para muitos dos visitantes o modelo a ver, o obrigatório e o que mais tempo nos roubou em termos de apreciação. Sozinho numa sala, o destaque da exposição é mesmo este único exemplar em solo português e um dos poucos em todo o mundo. Na última sala voltamos a ver um Mercedes-Benz, desta feita o icónico SLR, o fantástico Lamborghini Aventador SV (que em alguns ângulos parece o BatMobile) e por fim, o 911 mais potente feito até hoje pela Porsche, o GT2 RS (que tal como o Miura, tinha um «irmão» no exterior cujas fotos estão mais abaixo neste artigo). Ainda demos um salto à exposição permanente onde vários modelos de marcas como a Bugatti, Alfa Romeo, Lancia, BMW e  Mercedes marcam presença. Basicamente, além do atrativo fantástico espalhado pela vila do Caramulo em termos de quatro rodas, também dentro do museu se respira octanas de classe.

    No que diz respeito à parte competitiva, a Rampa Histórica Michelin reuniu alguns dos mais belos espécimens de quatro rodas para os quais contribuíram a presença de vários italianos como o Ferrari 166 MM Barchetta de 1950, Lancia 037 de 1982, o já referido Miura de 1970 e o Ferrari 500 Mondial de 1955. Além da parte competitiva, houve imensos desfiles onde destacamos o Club Porsche Portugal, o Clube OPC Portugal (claro), o Passeio Abarth que celebrou os 70 anos da marca com uma comitiva de mais de meia centena de automóveis, o Passeio dos Desportivos dos anos 80 e 90, a Alfa Romeo entre outros. Inúmeros passeios, imensas pessoas envolvidas e acima de tudo, um espírito único que apenas se vive em momentos como os vividos neste festival.

      Com a promessa de voltarmos em 2020, deixamos aqui um vídeo que acaba por ajudar a explicar o que por fotos e texto vos tentamos transmitir, da autoria dos jovens da Mondego Media.

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