Trezentos e Trinta e Cinco i

      Uma quarta-feira à tarde, em Setembro, sem nada combinado. Decidimos dar uma volta por Lisboa, à beira-rio para fazer um pequeno upgrade à nossa base de dados de locais para sessões fotográficas. Entre trânsito intenso, obras intermináveis e semáforos que custam a mostrar o verde, lá fomos andando ao longo do rio Tejo. Estranhamente, e ao fim de alguns minutos, encontramos uma mancha vermelha que pensávamos conhecer, aparentemente perdido, quase a chegar ao Cais do Sodré – é um bonito BMW E92 num reluzente vermelho, já nosso conhecido, pois esteve exposto no evento Airfield onde a All Wheels Photography esteve presente como mediapartner. Entusiasmados?

     Se há algo que os fanáticos por automóveis sabem é que o desportivo ideal tem duas portas, tracção traseira e uma silhueta inconfundível. Estranhamente, a BMW também sabe o que deve colocar num desportivo e como tal, ao longo dos anos têm sido protagonistas na produção de alguns dos coupés mais elegantes da história. O serie 3, um modelo familiar que está no seio da marca bávara há já várias décadas, já conheceu versões que gravaram a sua marca no livro dos grandes automóveis. As versões da divisão M, como os M3 sempre foram o topo de gama dos modelos da 3º serie da marca, desde o E30 ao E36, passando pelo E46 e pelo E92, as versões de três portas foram as únicas a conhecer sempre (em todas as gerações) uma variante puramente desportiva – M.

     A quinta geração deste modelo tem a designação E9X, com variantes consoante a forma da carroçaria. O sedan é designado por E90 e foi o primeiro a surgir em 2004, logo seguido pelo E92, a carrinha. Mais tarde em 2006 surge o E92, a versão de duas portas, fechado ou coupé e seguiu-se, um ano depois, a versão descapotável de tecto rígido, E93. Numerologia à parte, a BMW conseguiu desenvolver um modelo que em menos de 9 anos, venderam milhares de veículos um pouco por todos os mercados quer na Europa, quer nos Estados Unidos, tornando-se um dos mais rentáveis Serie 3 produzidos até à data.

     Com uma panóplia única de extras, opcionais e versões para se optar no stand, o Serie 3 podia ser adaptado a cada cliente de forma individual. Dos opcionais em pele para o interior, com a assinatura do sector desportivo M ao bodykit exterior, difícil é haver dois modelos iguais. Com o surgimento de versões de fábrica mais potentes, como o 335d, 335i e o M3 (e claro, o M3 GTS), essas opções aumentaram em número e acabaram por tornar esta versão do Série 3 um verdadeiro sucesso. E estamos a falar disto tudo porquê? O que temos à frente das nossas lentes é um bonito BMW E92, vermelho metalizado, que vira as cabeças por onde passa, talvez não só devido à cor fantástica que tem, como também pelo bonito som que emite. Mas já lá vamos.

     Linhas desportivas, espaço interior q.b. e um motor pujante, eram os três grandes pontos a ter em conta na compra de um automóvel para o Marcos, o dono deste E92. Dentro destes objectivos, poucos modelos no mercado foram equacionados mas a paixão sempre foi a marca da hélice e como tal, escolher um bonito E92 com as insígnias 335i na traseira não foi difícil. O 335i acaba por ser um dos melhores motores que se pode ter num Serie 3, pois apesar de ser mais «fraco» que o V8 do M3, também é mais económico, mais barato de manter e com uma boa margem para evolução.

    Apesar de ser um modelo esteticamente atraente, com o chamado pack M já de fábrica, o seu dono não estava contente com o look do seu BMW. O «bichinho» da modificação pairava no ar e não resistiu a alguns ajustes. Mesmo antes de começarmos a debitar as alterações feitas neste coupé, há algo que salta à vista, logo no estacionamento onde se encontrava: a fantástica cor vermelha. Embrenhados no website da BMW, bem podíamos continuar a pesquisar o nome da cor, que não teríamos sorte; apesar de ser uma cor já vista anteriormente, dificilmente chegaríamos à origem da mesma: Renault. Sim, este vermelho lindíssimo pode ser visto nos mais recentes modelos Clio e Megane e foi a escolha (acertada, digamos) do Marcos para o seu E92.

     Mas não foi só à Renault que o Marcos foi buscar algo. Foi também a uma marca nipónica e claro, à «casa-mãe» para inspiração, principalmente em versões ainda mais desportivas que o 335i. Vamos por partes, como habitual. A frente é sempre a parte que mais impressiona e claro, onde um amante da personalização automóvel «perde» parte do seu tempo (e orçamento). O contraste entre o bonito vermelho (sim, gostámos mesmo muito do tom) e o cinzento acetinado do carbono é excelente e transmite agressividade sem ser demasiado espalhafatoso. Os «rins», o emblema e o lip frontal Arkym Style combinam entre si e realmente assentam muito bem na frente do 335i, onde não faltam os obrigatórios angeleyes dos faróis, assinatura tão característica da BMW.

       Na lateral, e não falando do óbvio novamente, destacamos os guarda-lamas da versão M3 deste modelo com a típica saída de ar e o acabamento personalizado com o carbono e u emblema «335i». Ainda a perfilar a lateral, o spoiler da mala e o já referido lip frontal, juntamente com as embaladeiras do M3 acentuam o aspecto mais desportivo do coupé,  Tentando desviar o olhar do «hipnotizante» tom vermelho da carroçaria, analisamos as bonitas jantes AVA de 19 polegadas staggered (as jantes do eixo dianteiro são mais estreitas que no eixo traseiro – 8,5 e 9,5 polegadas, respectivamente), todas elas com ET 35 com pintura personalizada num interessante e bonito tom antracite que faz a ligação entre o tom da carroçaria e os apontamentos em carbono.

     Passando à traseira, mais vermelho e mais carbono. O difusor da versão 335i (igual à 335d, por exemplo) com dupla saída de escape encontra-se também forrado com o mesmo carbono do restante e que mais uma vez, combina com o emblema da BMW monocromático e com o pequeno lip da tampa da mala. Até os tapa matrículas da AWP ficam a condizer! Olhando para este 335i em modo «três-quartos», notamos que a altura ao solo não é a de origem (claro, estamos a falar de um projecto completo!). Recorrendo à solução coilovers, o Marcos optou por instalar algo que combine dinâmica, performance e conforto e escolheu a KW para isso, com os seus KW V2, uma suspensão com pedigree de competição que pode ser afinada em dureza de amortecimento e em altura ao solo, conseguindo-se um compromisso ideal entre estética e conforto, sem esquecer a componente desportiva deste 335i.

      Um projecto, que se digne a ser chamado desta forma, normalmente tem mais alterações do que apenas as estéticas, e claro, os ajustes mecânicos e alterações no interior. Mecanicamente as alterações foram como que obrigatórias dado que o motor de 6 cilindros em linha turbo (o primeiro da história da BMW em modelos «familiares») tem uma excelente margem de evolução e os seus 302 cavalos de origem podem facilmente ser aumentados não só com alterações electrónicas como mecânicas e claro, com um novo escape.

      O interior. Bem, o interior merece um parágrafo apenas e só para ele. Abrir a porta de um BMW é sempre um acontecimento, dado que nos apercebemos desde logo da qualidade de construção e quando a fechamos, confirmamos a boa insonorização destes germânicos. Neste E92, e apesar das portas não terem molduras nos vidros, a estanquidade mantém-se, com um seco «tump» ao fechar a porta. Lá dentro mais carbono invade o nosso olhar mas sem se tornar demasiado vistoso ou «berrante». O volante, frisos do tablier e das portas e consola central foram forrados com o mesmo material dos lips, frisos e difusores exteriores, tudo pelo próprio dono do 335i que meteu mãos à obra e alterou estes pontos cruciais do seu BMW. Ainda no interior, e talvez a alteração que mais gozo deu ao Marcos e a quem viaja neste E92. Os bancos foram totalmente modificados e alterados, usando a espuma das «poltronas» que equipam o recente BMW M4 e foram forrados em pele preta e alcântara texturada preta e pespontados com o mesmo tom vermelho da carroçaria. Ah, e lembram-se quando dissemos lá em cima que este BMW tinha emprestado algo de uma casa nipónica? Pois… nos bancos de trás, encontramos no meio dos bancos traseiros a grelha de subwoofer do Nissan GTR! Depois disto, dizer que o tejadilho se encontra forrado também em alcântara preta acaba por nem ser importante, mas ajuda a manter o ambiente subtilmente desportivo a bordo deste 335i.

     Resumidamente, este BMW foi alterado em quase tudo e apesar de esteticamente parecer um modelo com pequenos detalhes apenas, foi tudo pensado com o sentido de melhorar a experiência de condução deste 335i que já de origem é fantástica. Um verdadeiro projecto como gostamos de ver, admirar e claro, fotografar. Aproveitamos o final da tarde, já com o sol baixo, sentámo-nos para falar um pouco com o Marcos sobre o BMW e sobre o trabalho nele efectuado. Aproveitou para mencionar as empresas que o ajudaram em algumas das modificações como a pintura das jantes por parte da MPS Customs e o interior totalmente refeito pelo próprio Marcos. Um apaixonado por automóveis com uma grande disponibilidade e claro, uma imensa paixão automóvel que partilhou connosco e que vocês podem ver aqui, na AWP.

    Mas como parar é morrer, sabemos neste momento que este 335i sofreu novas alterações, que o deixaram ainda mais único e extraordinário. Em breve contamos mostrar essas mesmas novidades. Fiquem atentos.

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