Tourist Trophy

    A All Wheels Photography já abordou o assunto da importância das redes sociais e da internet no âmbito da paixão automóvel inúmeras vezes por ser uma fonte interminável de partilha de conhecimentos nos dias de hoje. Responsáveis por muitas das decisões ligadas ao ramo, a internet além de fornecer ideias, permitir comparações e partilhar informações, serve também como veículo de evolução de muitos projectos, nas mais variadas áreas. Hoje em dia, com a proliferação das redes sociais, e conforme já referimos em artigos anteriores, estas começam a retirar protagonismo e seguidores dos mais tradicionais websites e fóruns, mas existem alguns que conseguem remar contra a maré e manter-se activos e com novidades constantes.

    O TOL, melhor conhecido como tuning.online é um desses exemplos. Com 16 anos no activo, é a maior e mais completa plataforma nacional com referência directa ao tuning e à personalização automóvel nas mais variadas versões e ramos. Uma plataforma que tem acompanhado a evolução dentro da área, atualizando os seus leitores sempre que surge uma novidade. Uma das áreas com maior interesse neste website é o fórum, onde milhares de users trocam ideias, discutem alterações e mostram o seus projectos e a evolução dos mesmos.

   O fundador deste website tem, como não poderia deixar de ser, o seu próprio projecto. Antes do Audi TT 2.0 TFSI que aqui apresentamos, desenvolveu um projecto com base num Volkswagen Golf MK4 TDi que se tornou rapidamente um dos projectos de referência em Portugal e no estrangeiro, com uma evolução não só estética como também mecânica. Contudo, e como em outros casos, rapidamente atingiu o seu topo e a ausência de possibilidades de maiores evoluções ditou que fosse substituído por outro projecto, mais arrojado e com base num motor a gasolina, recaindo a escolha neste Audi TT.

Detalhes interessantes um pouco por todo o carro, neste Audi TT.

    O Rui, dono deste TT, conta-nos que a escolha por este Audi não foi fácil. Após ter perdido uma excelente oportunidade com um BMW M3 E46 e um VW Golf IV R32 para turbinar, alguns Mini Cooper, e de estar quase decidido pelo VW Scirocco TFSI (apesar do chassis desportivo deste limitar as alterações na suspensão), o Rui decidiu-se pelo TT 2.0 8j. Depois do modelo escolhido, a procura pelo exemplar certo também não foi fácil, dado que pretendia um modelo branco mas como não encontrou usado e o que actualmente aqui mostramos tinha um bom valor pelo modelo, a escolha estava feita.

     O Audi TT 8j foi anunciado pela Audi em Agosto de 2004 para substituir o até bem sucedido 8n, mantendo a filosofia de modelo desportivo, com dimensões compactas e um design moderno e vanguardista. Lançado em 2007, confirmaram-se as linhas do concept Audi Shooting Brake desenhado por Walter da Silva. O TT 8j conta com painéis em alumínio na frente e em aço na traseira, contribuindo para uma distribuição de pesos próxima da perfeição (49/51). Além desta característica, o Audi TT foi vendido com duas opções de tracção: frontal ou integral (com recurso à já conhecida Quattro da marca alemã) e podiam escolher entre o coupé de 4 lugares ou o descapotável de dois lugares. Apesar de manter o formato compacto e o aspecto contido, a geração 8j é 12,5 cm mais comprido e 7,5 cm mais largo que o seu antecessor.

    Além das novidades nos materiais escolhidos para a carroçaria, também o motor trazia alterações face ao modelo anterior, com vários blocos a gasolina e um diesel. Um dos motores mais procurados foi o 2.000cc TFSI que equipa o TT do nosso artigo. Um motor que derivou dos FSI usados na competição pela Audi aqui com recurso a um turbo para maior dinâmica e eficácia que juntamente com a caixa manual bem escalonada de 6 velocidades e com a suspensão activa Audi Magnetic Ride, contribuem para uma excelente diversão ao volante. No caso específico deste modelo e porque se trata de um projecto, existem algumas alterações a referir. No motor, as principais alterações foram os ajustes electrónicos com repro MB Power, adições mecânicas com um novo intercooler proveniente do Audi S3, velas Iridium e algumas peças do Audi R8, como as bobinas e a tampa do óleo. Ainda conta com uma Dump Valve da Forge Motorsport e um filtro de ar da K&N. Para ajudar ao respirar dos 200 + cavalos, um escape IE Power com duas saídas duplas, um pouco à imagem do TTRS.

    Já que começámos a abordar a temática da dinâmica, uma das peças fundamentais e que neste Audi TT levou um grande investimento é a suspensão. Como já repararam através das fotos, este TT 8j encontra-se mais baixo que o original, através do uso de coilovers KW V3 que além do tradicional rebaixamento que permitem, permitem também controlar a intensidade do amortecimento bem como o comportamento dos amortecedores na estrada. Juntamente com a excelente escolha para a suspensão, o Rui recorreu à UltraRacing para ajustar o chassis e a forma como este se «contrai» nas situações mais exigentes, recorrendo a 6 barras inferiores: 2 de anti-aproximação frontais (uma superior e outra inferior) e 4 de anti-aproximação traseiras. Além destas, ainda foram instaladas barras estabilizadoras na frente e na traseira, ambas reguláveis e ambas da Whiteline. Com tudo isto e com constante acerto das suspensão através do equilíbrio em balanças, o comportamento deste Audi TT é soberbo.

O perfil do Audi TT goza de uma unicidade sem igual. O anterior modelo e o novo mantêm essa mesma linha de forma a manter exclusiva a estética do coupé da marca alemã.

    Certamente que nesta fase do artigo já perceberam que a principal ideologia neste projecto é o OEM+, ou seja, a recorrência a peças da marca, normalmente de modelos de gama mais elevada, para compor a estética e a dinâmica de um modelo. Esteticamente, este Audi TT conta com a intervenção da Audi Sport, pois tem os párachoques do TTRS e as embaladeiras do mesmo modelo. Na traseira o aspecto desportivo é completado com o difusor TTS que envolve as já referidas quatro saídas de escape que emitem um bonito cantar rouco e afinado, sem cair no exagero de algumas versões mais «aguerridas». Para os entendidos, este TT não conta com o volumoso spoiler da versão RS, fixo, mas sim com um rectrátil spoiler de origem, que se eleva ao atingir os 80 km/h ou através da activação de um botão e que surge sobre o pequeno lip de carbono da marca OSIR assente na extremidade da bagageira.

   Na frente o destaque vai para o imponente párachoques do TTRS (já mencionámos em cima) com a grelha também da OSIR com a rede alterada e personalizada que juntamente com a zona inferior também em carbono dão à «cara» deste TT um aspecto desportivo mesmo quando estacionado. O emblema dos quatro anéis pintado em preto insere-se na perfeição neste Audi e prende a nossa atenção à medida que vamos olhando e analisando a estética deste coupé. Chegando à lateral, o grande destaque vai para mais um componente em carbono, os espelhos da QS Concept que no meio da lateral toda cinzenta, dão um contraste interessante. A par das embaladeiras TTRS que já referimos, é na lateral que encontramos mais uma modificação de peso neste Audi TT. As bonitas jantes VMR v701 de 19 polegadas com 8,5 de largura pintadas em gunmetal e envoltos em pneus 235/35 além de bonitas visualmente, conseguem contribuir para a excelente dinâmica deste automóvel. E perante tal comportamento e dinâmica, houve necessidade de investir no poder de travagem, sendo que a escolha recaiu nos travões do «primo» Volkswagen Scirocco R, nas medidas 340mm na frente e 310mm na traseira. Meus amigos, este TT anda bem, mas trava ainda melhor!

    No interior, existe mais carbono, nomeadamente no volante que conta com pega em pele para melhor grip e que oferece uma excelente pega. No tablier, reparamos logo num manómetro, neste caso da Race Diagnostics Liquid que informa de vários valores relacionados com a temperatura, dados da pressão do turbo entre outros e que se revela essencial num automóvel com as alterações que tem. Outros elementos em carbono são as soleiras das portas e parte da consola central que envolve a manete de velocidades que, tem de ser dito, se encontra a uma altura perfeita quando o mote é conduzir depressa. Apesar de acanhado, o interior deste Audi TT é um excelente local para se estar e nem com todas as alterações de chassis e suspensão se tornou desconfortável ao ponto de não ser suportável. É duro, seco e «rijo» mas encontramo-nos num automóvel desportivo que é assim que se quer, de forma a transmitir confiança a quem o conduz no limite.

    E se este TT dá nas vistas. Mesmo pintado numa das cores mais comuns do parque automóvel português, os apêndices aerodinâmicos e as inserções em carbono juntamente com o rebaixamento certo transformam um «borrão» cinzento numa excelente peça para admirar e olhar, o que acabamos por perceber nos vários locais por onde passámos, em Leça da Palmeira. O local algo escondido foi escolhido pelo Rui e revelou-se mais que perfeito para as fotos, com o sol timido da manhã a espreitar entre as folhas castanhas de Outono. Contámos, durante a sessão, com a presença do Lino Ramalho, um amigo de ambos e fundador da Wheels&Stills que apesar de recente na área, já revelou competências interessantes no que diz respeito à fotografia automóvel.

     Com o tempo contado, era altura de mais algumas foto dinâmicas, as tão apreciadas rolling shots para as quais usámos a A28 na zona da Exponor para conseguir os registos que aqui podem ver. Uma pequena viagem que serviu para cimentar ainda mais o que já dissemos sobre este Audi TT 2.0 TFSI: é um coupé lindíssimo, elegante e ao mesmo tempo agressivo, que cimenta o carácter desportivo da marca alemã no que concerne aos seus coupés.

    Uma excelente sessão no norte do país onde fomos novamente bem recebidos e que nos deixa já saudades e com vontade de voltar em breve, para continuarmos a conhecer a car scene desta zona que é rica em excelentes projectos e bom gosto automóvel. Um até já ao Rui, dono do Audi TT e ao Lino, mentor da Wheels&Stills, que nos deu «boleia» durante as rolling shots e nos mostrou alguns dos locais para as fotos.

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