The retun’ed Mini

     Sim, voltamos aos Mini’s, aos irrequietos, únicos e altamente personalizáveis Mini’s. Uma das nossas parcerias, com a Minifamily.pt, um grupo online onde a camaradagem, espírito de ajuda e união são o mote para bons momentos ao vivo, com imensos encontros organizados pelo grupo. E apesar da quarentena ter colocado em «banho-maria» os encontros e as nossas sessões fotográficas, re-abrimos as hostes com esta família com um engraçado Mini Cooper JCW versão R56 ainda em «construção», digamos. As alterações que iremos abordar ao longo do nosso artigo são parte de um conjunto de boas modificações que elevarão este JCW a um excelente nível, como já vem sendo habitual em projectos com base Mini, ou não fossem estes modelos os campeões das modificações.

O aspecto robusto do Mini é reforçado pelo Aero Kit. Quase que diríamos que é algo vital para o R56.

      Esta sessão já estava agendada há algum tempo mas um conjunto de situações ditaram o adiamento até à fase de desconfinamento em que nos encontramos. Na rua, com o devido afastamento social e numa zona praticamente deserta, colocamos o Mini à prova das nossas lentes e «matámos» as saudades de uma boa sessão fotográfica. Aproveitamos o final de tarde para usar a luz mais baixa que tanto gostamos para criar um ambiente mais intimista e acentuar as linhas deste Mini que por ter uma cor mais escura, nos lança de imediato um desafio de forma a conseguir captar as linhas deste JCW.

      Em 2007 a geração R56 saiu para o mercado, aproveitando o sucesso do primeiro Mini alemão conseguido pelo R53. A marca seguiu o embalo e artilhou a segunda geração com imensos gadgets, opções de personalização e novos motores, utilizando a turboalimentação em vez do compressor, resultando numa melhor autonomia, mais economia e melhores prestações mas, segundo os fãs, à custa da perda da sonoridade que apenas um compressor tem. Detalhes à parte, a geração R56 que depois conheceu imensas derivações ajudou a Mini a cimentar-se no segmento onde se insere, garantindo um excelente retorno económico à agora detentora da marca, a BMW. As principais alterações mecânicas já foram faladas, mas a versão JCW veio apimentar ainda mais o nervoso bloco 1.6 Turbo, passando a contar com 211 cavalos bem folgorosos e ávidos de se fazerem á estrada.

O tom da luz mais alaranjado permite ver alguns reflexos na pintura cuidadosamente mantida com produtos do nosso parceiro Autofinesse.

      Mas além do facto de estarmos perante um Jonh Cooper Works, este Mini mostra toda a sua raça sem recorrer a abusos estéticos. Com o tradicional bodykit denominado pela marca de AeroKit composto por pára-choques e embaladeiras, este R56 de cor negra capta as atenções através das sublimes mas essenciais e muito bem introduzidas alterações que o seu dono, Gonçalo, introduziu ao longo dos tempos. A frente conta com a tradicional grelha hexagonal com moldura preta (mesmo tom do restante veículo) acentua o carácter mais desportivo desta versão. Mais abaixo é a grelha inferior com o mesmo acabamento que se destaca juntamente com as duas entradas de ar laterais. No capot também existe a tradicional entrada de ar central e contamos ainda com os faróis xénon recentemente montados.

     Com linhas simples mas sensíveis ao mote «rápido mesmo parado», a lateral também é bem composta. Aqui, o destaque vai para as embaladeiras e para as bonitas jantes de 17 polegadas Team Dynamics ProRace 1.2 envoltos em Michelin Pilot Sport. Sem medidas abusadas ou tamanhos exagerados, o set rolante assume aqui, juntamente com a suspensão revista e melhorada com molas Eibach, grande importância por o Mini é todo sobre o comportamento em estrada e especialmente em curva, o que neste exemplar é algo que dá gosto fazer, de preferência o mais rápido possível. Correndo o risco de soar repetitivo (pois não é o primeiro artigo sobre um Mini que fazemos), este JCW descreve trajectórias como se estivesse ligado à estrada por íman, sobre carris ou através de uma força sobrenatural que comprime o carro na estrada, impedindo abusos e garantindo a máxima diversão ao volante.

       E se o assunto é eficácia em estrada, a exaustão dos gases do motor é fator essencial no excelente comportamento e resposta da unidade motriz e aqui não há surpresas e quando o ouvimos rugir ao fundo, já sabemos que é um Mini que está a chegar. Inimitável, a sonoridade deste R56 é acentuada pela ressonância conseguida ainda no motor, na caixa de ar JCW Factory. Uma adição importante para a melhoria da resposta do motor tal como, por exemplo, a manete de velocidades JCW que ajuda a percorrer de uma forma ainda mais aperfeiçoada as mudanças entregando ao condutor uma condução ímpar. Com o tom do escape ainda a ecoar no local onde nos encontramos, aproveitamos para admirar a pintura nova, apenas com 6 meses, que reluz com a luz dourada do sol poente e que contrasta muito bem com o vermelho das faixas JCW, do tecto e dos espelhos.

     Por dentro, não há grandes surpresas. O ambiente tipicamente Mini privilegia novamente o condutor e o prazer de condução, ao colocar toda a informação nos olhos do condutor, com o conta-rotações em destaque no centro do volante, que conta com a base em carbono, também tipicamente JCW e ao lado, o ScanGauge com leitura de pressões e temperaturas do motor. Ao centro, o velocímetro e os botões estilo avião de combate acentuam o desportivismo da versão, ao qual se junta a manete JCW e as soleiras também com o logótipo da divisão desportiva da Mini. Os bancos em pele não ajudam à tal condução que tanto defendemos, pois não nos «abraça» completamente em curva, principalmente nos ombros e região lombar. Contudo, acabam por ser mais confortáveis que as baquets e claro, mais fáceis de entrar e sair.

      Com o final de tarde a chegar rapidamente, ficámos a saber junto do Gonçalo que os planos para este Mini Cooper JCW ainda estão longe de estarem terminados. No interior levará com detalhes nas manetes, em alcântara e o apoio de braço original que ligará a estética dos bancos à consola central do modelo facelift (ou LCI). No motor levará um downpipe Scorpion de 70mm e um turbo K04. Por fora pouco haverá a fazer, sem ser detalhes dos quais se destacam os faróis traseiros da versão que veio aligeirar a estética (LCI). Mas mais do que alterações e modificações, o importante quando se tem um Mini JCW é mesmo desfrutar do mesmo, coisa que o Gonçalo não se priva, escapando até uma Serra ou trajecto sinuoso sempre que pode. E é aí que tanto o automóvel como o condutor se sentem em casa, se unem de forma a passar um bom bocado.

Postura vencedora. O design do Mini veio para ficar e manter por longos anos, após uma aposta ganha da BMW em adquirir a marca Mini.

      E foi um bom bocado que também passámos a conhecer e fotografar este Mini recheado de detalhes e com o selo de aprovação da Minifamily. Deu para «matar» um pouco as saudades das sessões fotográficas e dos eventos cheios de Minis pelas estradas de Portugal e, também importante, trouxe de volta o nosso trabalho de campo depois da pandemia que tanto fustigou o mundo e o nosso país. Ficamos felizes e muito satisfeitos por sabermos que continuam a confiar em nós para criarmos memórias e algo que deixe os donos felizes por aquilo que querem mostrar e perpetuar. Venham os vossos automóveis ou motas, cá estaremos para captar a sua essência através da fotografia.

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