RennSport 6

  Quando recebemos chamadas da Overlay, sabemos que algo de interessante vem dali. A chamada, curta na duração, apenas nos pede para darmos um salto à loja para vermos o automóvel a fotografar. Colocamo-nos a caminho e à chegada, somos presenteados com um verdadeiro ronco, grave, a entoar no local de trabalho da empresa de personalização automóvel. Ao entrarmos, rapidamente reconhecemos a assinatura de luzes da Audi e encaramos com um automóvel imponente que não vemos todos os dias. Estamos perante a Audi RS6, uma das carrinhas mais potentes do mundo.

   Apesar de ultimamente andarmos mais focados na BMW, era altura de nos focarmos na concorrente Audi e darmos-lhe alguma atenção. A Audi RS6 já tem alguns anos de história e vai actualmente na terceira geração (C7, typ 4G), sendo esta geração a que temos à nossa frente. A RS6, conhecida por ser a versão carrinha do super-desportivo Audi R8, conta nesta terceira geração apenas com a variante station wagon o que, para nós, só lhe aumenta a competência visual e imponência a que estamos habituados. Produzida desde 2012 pela Audi Sport GmbH, a RS6 C7 trouxe inúmeras novidades tecnológicas bem como um visual mais arrojado e uma qualidade interior de topo.

     Bem, a receita da Audi para esta RS6 foi simples: pegar na sua carrinha A6, espaçosa, bem equipada e requintada, juntar-lhe um motor bem potente (um belo V8 de 4 litros) e uma tracção integral inteligente associado a uma caixa automática «inteligente». Estava feita a receita de mais um automóvel que fica na história da marca dos quatro anéis, como uma carrinha capaz de bater os melhores desportivos e super-desportivos em condução nos limites. A RS6 alia a competência e eficácia dos desportivos da marca à capacidade de mover uma família inteira, bem como a sua bagagem, numa viagem de família ou no dia-a-dia em cidade. Sim porque apesar do V8, a Audi instalou na RS6 C7 a sua gestão inteligente de cilindros, para uma «economia» de combustível.

Ao longe parece uma A6 normal com algumas alterações...

   E se o downsize do motor do bi-turbo V10 para o twin-turbo V8 TFSi foi visto como uma necessidade por uns, foi uma escolha mais que acertada segundo os aficionados deste modelo. A RS6 ganhou melhor condução e mais eficácia em curva, não sendo necessária a presença de condições atmosféricas complicadas para que a RS6 mostre a sua eficácia (embora continue, neste campo, a ser basicamente imparável!). Apesar desta troca de motores, continuamos a ter mais de 500 cavalos (553 cavalos na versão base, 597 cavalos na versão Performance) e uma dinâmica apurada, com um tempo dos 0-100 km/h em apenas 3,9 segundos (3,7 na versão mais desportiva) e a capacidade de ultrapassar os 300 km/h (sem o limitador) com relativa facilidade.

   Apesar de curta a viagem desde a Overlay até ao local das fotos, deu para perceber o impacto que estes números têm na condução do carro. Com um pisar firme, a tracção integral encosta-nos ao banco durante toda a aceleração, sem tempos «mortos», sem dar descanso. Um continuo de força e poder, acompanhado por uma banda sonora condizente (aqui nesta RS6 acentuada pela linha da Akrapovic) e que não deixa ninguém indiferente, especialmente pela cor bastante apelativa em que a RS6 foi envolta, através de película. E se a viagem já era curta pela distância, com a envolvência do som, potência e até conforto, rapidamente se fez esta deslocação.

De onde se olhe, a postura desta RS6 está em ponto alto!

    Já no local das fotos, pudemos finalmente apreciar bem as linhas desta RS6. É um automóvel enorme, grande, volumoso e que mostra bem a intenção da Audi ao produzir este desportivo. Forrado integralmente num bonito tom azul mate metálico, o contraste foi conseguido recorrendo à pintura de diversas peças em preto brilhante, nomeadamente as jantes, barras de tejadilho e detalhes das grelhas frontais e difusor traseiro. Um trabalho de paciência, certamente, dada a dificuldade em aceder a determinadas zonas destas Audi. Debaixo do sol de fim de tarde, o tom azul adquire uma bonita variação entre escuro e claro, ressaltando á vista os painéis frontais e traseiros mais largos e a acentuada elevação do capot. Se esta RS6 era agressiva no seu azul escuro, agora ficou ainda mais impressionante.

    Colocamo-nos à frente da RS6 e fitamo-la nos faróis full-led e sentimo-nos quase que azuis… de medo! É que esta carrinha mete mesmo respeito vista neste ângulo. A enorme grelha frontal em preto brilhante, ostenta orgulhosamente o emblema RS6 junto dos quatro anéis e intensifica o ímpeto desportivo desta «carrinha-de-ir-às-compras-rapidamente». A esta brutalidade de frente associa-se um perfil musculado que se assemelha a um cão em posição de ataque, com a traseira ligeiramente mais «empinada» que a frente e com as massivas jantes de 21 polegadas bem envoltas nos Michelin Pilot Super Sport (que são eficientes na transmissão de toda a potência ao asfalto).

Travagem à altura do peso e potência desta carrinha.

   Na traseira são as quatro saídas de escape que marcam a diferença. Da conhecida marca Akrapovic, o barulho do V8 é intensificado pelo verdadeiro quarteto de tubas que são estas ponteiras. E além do som, também são visualmente interessantes, conferindo um ar mais «intenso» à traseira larga e composta da RS6. O difusor a preto e a pequena curvatura das laterais do pára-choques (que curva para fora) aumenta a sensação de que esta RS6 tem dificuldades em caber em algumas ruas da cidade.

   Para descansar do calor que ainda se fazia sentir, fomos para o interior. O ar condicionado automático calibrado para os 17ºC, música jazz a tocar no rádio… e a vontade era mais de conduzir rumo a nenhures do que continuar a registar em fotografia este automóvel. Mas isso fica para outra altura, pois há muito a ver e a mostrar deste interior. O espaço… bem, o espaço é enorme! Já estivemos em lojas de superfícies comerciais mais acanhados. Em qualquer lugar desta RS6 o espaço de pernas, ombros e cabeça é simplesmente imenso e claro que nem falamos da bagageira. Aliás, graças a todo este espaço e ao tal sistema de gestão de cilindros (Cylinder On Demand – desliga metade dos cilindros quando em condução serena e calma – desliga o 2º, 3º, 5º e 8º cilindros), esta RS6 é um excelente veículo para a utilização diária; mas não pensem que é o carro mais económico do mundo. Apesar destas melhorias – 30% mais económica que a predecessora RS6 C6), continua a ser um automóvel com bastante apetite.

   Ainda não conseguimos sair do interior. Está-se mesmo bem por aqui, sentados nas poltronas em formato baquet Recaro em pele e alcântara e com um volante de ergonomia perfeita, boa pega e claro, cheio de detalhes nas mãos, o que mais poderíamos pedir? E depois ainda há o velocímetro que termina aos 320 km/h, o ecrã multi-funções que sai do tablier assim que se liga a ignição e vários detalhes em carbono e pele, espalhados um pouco por todo o «apartamento T5» que é esta RS6. Um último detalhe antes de voltarmos a sair deste habitáculo: a chave forrada no mesmo tom do resto do carro! Bom trabalho, Overlay!

Duas letras e um número no centro do quadrante... em caso de esquecimento.

    Vamos regressar? Foi a pergunta que não queríamos ouvir. Estávamos bem na zona industrial a fotografar um ícone automóvel. Um veículo que certamente ficará na história da Audi como uma carrinha verdadeiramente estrondosa de conduzir, epicamente viciante e que nos permite ter a sensação de conduzir um super-carro com o conforto, comodidade e utilidade de uma carrinha de família. Basicamente, esta Audi RS6 é, provavelmente, o único automóvel que um petrolhead precisará!

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