Oitava Evolução

      Em abono da verdade, ainda não saímos do Japão no que concerne à marca automóvel que ganha destaque neste artigo. Aproveitamos uma aberta nos dias de chuva que nos têm assolado nestas semanas para ir até às margens do Tejo para fotografar mais um automóvel de culto. Desde os longínquos tempos dos primeiros Gran Turismo e do saudoso Colin Mcrae Rally que há certos tipos de carros que ficam gravados na nossa memória e que vão persistindo até à idade adulta, nomeadamente a paixão pelos carros japoneses derivados dos veículos de rally.

Perfil incisivo, definição de desportivismo.

            A Mitsubishi quando lançou a versão mais picante do seu Lancer, há mais de 10 anos, atravessava um período de alguma fragilidade económica. O Evolution não foi a tábua de salvação da marca, mas permitiu um renascer de emoção e alegria nos petrolheads de todo o mundo e aliviou o fardo que a marca já trazia às costas, de serem acusados de apenas fazerem carrinhas de carga ou automóveis lentos. Uma chapada de luva branca nos críticos, apesar dos volumes de venda não atingirem os valores que a Mitsubishi previa mas ainda assim, nascia um marco histórico e um automóvel com lugar cativo na lista de clássicos de culto do século XXI.

    A aventura do Evolution começou em 1992 com a primeira geração que já incluía no embrulho 244 cv’s e tracção às quatro rodas. Entre o ano de estreia e o ano de reforma, dois anos depois, foram vendidas 5000 unidades do primeiro Evo. Na altura, no Japão, os construtores estavam limitados por legislação a lançarem carros não mais potentes que 280cv’s pelo que, com a chegada do Evo IV e dos seus 280cv’s a potência oficial dos Evos limitou-se a esses números. Contudo, não oficialmente, a potência dos motores era largamente superior ao anunciado pela marca e não é surpresa que o EVO IX de especificação japonesa tenha, no fim das contas, 317 cv’s.

       A oitava evolução do Lancer veio trazer algumas alterações face ao modelo anterior, trazendo de fábrica jantes Enkei de 17”, os indispensáveis travões Brembo e amortecedores Bilstein. No exterior foi introduzida a nova grelha da família Mitsubishi bem como um redesenho do para-choques frontal com entradas de ar maiores e um desenho menos “quadrado” face ao modelo anterior. A entrada de ar no capot do motor é agora mais generosa também. Na retaguarda o spoiler de dimensões generosas era opcional na maioria dos Evolution VIII produzidos. As ópticas traseiras também foram trocadas por umas de fundo cromado em contraste com as tradicionais vermelhas no Evo VII.

          Quanto a interiores, não houve muitas mudanças. A sobriedade manteve-se e o habitáculo contém o necessário para uma condução focada e precisa. Os destaques vão para o volante de desenho simples da Momo, a manete das mudanças em titânio (toque pessoal) e as essenciais baquets da Recaro. O conta-rotações ao centro do painel é um pormenor apreciado pelo dono deste Evo e uma das alterações pessoais mais bem vindas foi a eliminação das folgas da caixa de velocidades. Para completar o visual agressivo também foi adicionado o spoiler com asa e laterais interiores em fibra de carbono em detrimento do original mais baixo e simples.

Volante com pega perfeita para o tipo de condução exigida por este EVO.
Informações pertinentes a ter em atenção.

        Por baixo do capot desta versão do VIII podemos encontrar o bem estimado 2.0 litros DOHC com 265 cavalos de origem (posteriormente desenvolvidos pelo dono de modo a aproveitar todo o potencial do carro) acoplados a uma caixa manual de 5 velocidades. A marca dos 100km/h surge em cerca de 5 segundos e juntamente a essa marca, também a nossa impressão aparece nas baquets, devido ao boost que este Evo apresenta.

          Por fora, os Evolution têm um aspecto pouco discreto. É um daqueles carros que possui um lado extremamente prático que normalmente é associada a berlinas de outros países. A diferença é que, por uma fracção do preço, leva-se para casa um familiar muito desportivo, com pedigree Japonês, afinado para percorrer qualquer tipo de piso (do qual é resultado o selector de piso ACD) e cuja experiência ao volante é sempre gratificante, seja numa ida ao supermercado para encher a mala ou uma roadtrip por estradas nacionais.

   Este Mitsubishi Lancer Evolution VIII é um exemplar que comprova que o seu dono gosta de o usar para aquilo que foi construído: devorar quilómetros de alcatrão e queimar gasolina. O aspecto de carro de rally para estrada continua a virar cabeças por onde passa, prova que os apreciadores de automóveis reconhecem um ícone por onde este passe. A All Wheels Photography valoriza este tipo de ligações e de paixões, em que o homem olha para a máquina, compreende-a mas não se coíbe de a utilizar e mesmo de abusar dela, de forma salutar, emocional e excepcional. Tal como nós gostamos!

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