Miniacs

   Os modelos da Mini são mais que automóveis. São a extensão de quem os conduz, uma forma de estar na vida, uma atitude. Os donos de Mini’s são pessoas despreocupadas, tranquilas, com objectivos bem delineados. Não queremos dizer com isto que os outros automobilistas da nossa “praça” não o sejam também, mas é caricato a rotulagem que podemos dar aos Mini’acs. Esta cultura não surgiu do nada; foi basicamente instituída e cimentada por grupos de aficionados pela marca, que mesmo depois da aquisição pela BMW, se mantiveram fiéis aos seus Minis.

Um mais «hardcore», o outro mais OEM+, ambos divertidos de conduzir.

    Na All Wheels Photography temos conhecido muitos fãs de automóveis, muitos aficionados e acérrimos defensores de determinados modelos ou marcas, mas quando falamos dos Minis, é algo diferente, pois existe uma aura em torno destes automóveis. Quando se adquire um Mini, adquire-se também uma bagagem de história, de clubes, de grupos de amigos, uma espécie de família automobilística, se lhe quisermos assim chamar. E por muito que procuremos noutras marcas ou modelos automóveis, esta «febre» é diferente daquela que aquece as discussões no seio de um grupo de petrolheads donos de Minis.

As semelhanças são evidentes e espelham a evolução do R53 para o R56.

     Para nos estrearmos nesta nossa nova rubrica, fomos atrás desta família, deste conceito de viver o automóvel. Há vários fóruns na internet, grupos no facebook e até pequenas reuniões sem organização específica de pessoas que adoram e idolatram os seus «Mininos». Um dos maiores grupos portugueses é o Mini Friends PT, com sede no facebook. Com cada vez mais membros, é um grupo de aficionados da marca, desde os modelos primordiais das décadas de 50 até ao último modelo, saído no ano transacto. Apesar de já conhecermos o grupo e um dos membros deste artigo, foi uma agradável surpresa quando soubemos que poderíamos ter não um mas dois Minis na sessão. Foi só ajustar o foco do artigo (e da máquina fotográfica também) e daí até à ideia de uma nova secção foi um pequeno passo.

    Vamos conhecer então os dois intervenientes no nosso artigo. O Mini, comercializado desde o fim da década de 50, ficou imortalizado pelo seu aspecto compacto e agilidade na condução. Os Minis da era moderna mantém a agilidade, mas perderam algum do tamanho compacto (digamos que ganharam tamanho) e a palavra Mini mantém-se como marca mas com um significado literário engraçadamente errado, pois de «mini» já não têm muito. A Mini, depois de ter sido comprada pela BMW em 2000, após um conturbado posicionamento no mercado do Grupo Rover, teve várias evoluções, modelos e motorizações até aos dias de hoje. Com toda esta evolução, achámos que seria engraçado um encontro de gerações, uma espécie de evolução de Darwin de um dos modelos mais icónicos e bem sucedidos das últimas décadas.

     Os Minis da era moderna, digamos assim, começaram a ser comercializados em 2001, com a geração R50. A versão mais desportiva desta geração é o R53, o Cooper S que conta com um enérgico motor 1600cc (com compressor) de 163 cv’s, capaz de projectar o Mini até aos 220 km/h e fazê-lo rapidamente, com um tempo dos 0 aos 100 km/h de 7,4 segundos. Com vários upgrades mecânicos, estéticos e dinâmicos face ao Cooper (ou ao mais simples One), o Cooper S era o modelo mais apetecido até ao surgimento do JCW (John Cooper Works), principalmente pela sua margem de manobra em termos de melhorias.

     No caso específico do nosso comparativo (chamemos-lhe assim), o nosso Cooper S conta com modificações bem realizadas e que deram uma excelente alma e presença ao Mini. O objectivo do Samuel (o dono deste R53) foi criar um Mini que mecânica e dinamicamente fosse melhor que o na altura topo de gama, o JCW. Para isso optou por alterações discretas mas bem pensadas. Os injectores foram trocados por uns do JCW que juntamente com a admissão da Alta e a bobine da MSD deram uma alma mais apurada a este Mini. Juntamente com isto, o escape e decat da Milltek e o IC da GRS completam o pack de modificações (principais, claro) deste R53. O andamento (e o som emitido) melhoraram imenso, bem como a sensação de kart, tão típica neste modelos, conseguida por coilovers reguláveis e pneus de grande aderência. No campo das modificações deste R53, falta ainda falar dos ajustes estéticos, com a grelha do JCW no pára-choques da frente e o spoiler do Mini GP na traseira, em carbono. Com tudo isto, o Samuel criou um Mini surpreendentemente ágil, eficaz e divertido de conduzir e que acima de tudo, é uma extensão dele próprio.

Leveza, eficácia e dinâmica. Palavras-chave na ligação ao solo.
Em cima, o interior mais espartano do R53 mostrar maior espaço no habitáculo. Ao lado, o spoiler em carbono que compõe a traseira.

    Tudo o descrito acima, a paixão, a entrega a um projecto e a experiência de ter um Mini são partilhados pelo segundo elemento deste artigo, o Miguel. Dono de um mais recente Cooper S da geração R56 (esta geração contava com um 1600cc também, mas agora turbinado com 174 cv’s), subscreve tudo o que é dito e afirmado por quem tem um Mini: quando se compra um Mini, compra-se uma marca, uma forma de estar na vida. E digamos que a forma de estar na vida do Miguel está muito bem equipada. É que além das várias modificações que foram realizadas neste R56, o modelo saiu da BMW com um excelente pacote de extras, dos quais se destacam o sistema de navegação, bi-xenon, bancos em pele, tecto de abrir panorâmico e os sensores de luz e chuva. Mas o Miguel achou que o motor era «curto» para tamanhas capacidades do chassis e resolveu meter mãos à obra.

Mais que uma marca, um ícone.

      No motor colocou uma nova e mais eficiente admissão JCW com filtro ITG e electronicamente ajustou a centralina; estas alterações em conjunto com o downpipe e supressão dos catalisadores, juntamente com o escape JCW e um intercooler específico, permitiram um ganho de mais de 40 cavalos neste pequeno Mini. A forma como este R56 coloca a nova potência no chão e como a domina está a cargo dos coilovers H&R e das barras de ajuste de camber. No interior apenas detalhes de necessidade como manómetros de temperaturas e pressões e extras JCW, como a shiftlight (luz que avisa quando é a altura ideal para a colocação de nova mudança – raríssimo nos Minis) e o conjunto alavanca de velocidades e travão de mão do JCW. Basicamente o que o Miguel pretendeu foi eficácia, dinâmica e claro, fiabilidade no seu Mini, o que conseguiu sem margem para dúvidas.

    Observando ambos, notamos claramente que são «irmãos» quase gémeos, mas sem o ser. Ambos os modelos têm o escape no mesmo sítio, os farolins e e faróis nos mesmos locais e o mesmo «corpo», mas a subtileza das alterações e ajustes estéticos que a BMW operou da primeira geração para a segunda (isto falando da fase moderna do Mini) foi o suficiente para refrescar e actualizar a imagem do mais novo deste comparativo.

    Este artigo não é um comparativo directo. Não vos dizemos qual é o melhor, qual é o mais rápido ou mesmo qual é o mais potente. Ambos são excelentes naquilo que fazem, que é entregar muito prazer de condução por pouco metro quadrado de automóvel. O que queremos mostrar aqui são duas gerações diferentes do mesmo modelo, que através de algumas modificações e melhorias se aproximam não só um do outro, como também do ideal de cada um dos seus condutores. Mas mais que isso, pretendemos mostrar a ligação de amizade, companheirismo e espírito de entreajuda que perdura num grupo que tem uma paixão em comum: a Mini.

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