King of the mountain

    Parece que apanhámos o gosto aos automóveis franceses não é? E em especial aos que ostentam a sigla GTi na bagageira, dado que ainda há umas semanas mostrámos o raro Peugeot 208 GTi 30th Anniversary. Este artigo também é de um Peugeot 208, também é de um GTi. E importa recordar que este pequeno desportivo de 200 cavalos já está no mercado desde 2014, altura em que foi apresentado no Salão Automóvel de Genebra. Mais do que um pequeno desportivo, o 208 foi criado com o objectivo de recordar o fantástico 205 GTi que ainda hoje permanece no pódio como um dos melhores pocket-rocket de sempre. Contudo e fruto dos novos tempos, o 208 GTi é mais pesado, mais tecnológico e maior mas a alma, a condução desportiva e o feeling está lá.

      Mais do que um desportivo, o 208 GTi é o aperfeiçoar de um utilitário que segurou as vendas da Peugeot durante os últimos anos, principalmente frente a ataques de «concorrentes» como o VW Polo, o Ford Fiesta, Opel Corsa e principalmente o Renault Clio, líder assumido do segmento. Ainda assim e tal como o 208, todos eles têm nas suas linhagens um modelo topo de gama, um desportivo. Mas voltemos ao que interessa, às três letras que compõe uma das siglas mais respeitadas do mundo automóvel. O 208 GTi veio substituir o 207 GTi, trouxe mais potência no motor e menos peso (tira quase 170 kg’s ao 207) e restabelece a qualidade e dinâmica de condução que leva os aficionados directamente aos anos 90.

     Mas vamos ao que interessa, este 208 GTi em específico. Se até ao momento pelas fotografias não perceberam onde estamos, deixem-nos elucidar-vos: estamos na «nossa» Arrábida, junto à cimenteira, para conseguirmos um misto de espírito de natureza e espaço industrial que este desportivo tanto invoca. Mas não é só por isso que estamos. Aproveitámos uma tarde de Outono com temperaturas de Verão para irmos ter com os nossos amigos do grupo Cars&FriendsPT à praia da Figueirinha onde o João Palma, dono deste 208 GTi também estava presente. Mas atenção, nós combinamos a sessão primeiro, depois houve uma espécie de coincidência e combinou-se um encontro onde compareceram cerca de 20 pessoas e mais de uma dezena de automóveis.

Bastante fotogénico este 208.

    Claro que no meio do estacionamento da Figueirinha não estávamos à vontade para fazer as fotos. Aliás, nem à vontade nem com espaço, dado que o parque estava cheio, com inúmeras famílias e jovens a aproveitar o tal sol para uma tarde à beira-mar. Mas aqui na cimenteira o ambiente era mais propício a boas fotos e como tal, entretemo-nos a fazê-las. Tanto que acabámos por nos atrasar e encurtar a parte das fotos em andamento mas a essas iremos, como habitualmente, no final do artigo. Mas não vale fazer batota e saltar a nossa restante análise deste desportivo.

     E essa análise acaba por ser um pouco parcial pois gostamos mesmo deste tipo de carros. Pequenos, ágeis e divertidos de conduzir, como todos os automóveis deveriam ser. E se há coisa que os franceses sabem fazer são desportivos pequenos, divertidos e ágeis e este 208 GTi adora mostrar essas capacidades na Serra da Arrábida, dado que passa lá umas boas horas por mês. Por alguma razão o João ostenta o «I’m the King of the mountain» no vidro lateral do lado do condutor; mas na realidade, onde é que um pocket-rocket se sente mais à vontade e mostra todas as suas capacidades.

     Mas vamos então à nossa visão deste 208 GTi. Começamos pela frente onde a estrela da companhia é a grande grelha central em xadrez com a incisão Peugeot a ocupar a parte central do topo da grelha. Juntamente a esta grelha, os faróis de xénon e assinatura diurna em led marcam a assinatura desportiva e quase que «predatória» deste Peugeot, ao assumir um «olhar zangado» digamos. Mais abaixo e entre os dois faróis de nevoeiro temos mais uma grelha, de menores dimensões que fornece ar ao IC da marca AirTec. Sim porque estamos na secção de projetos pelo que existem umas modificações aqui e ali. Temos ainda de mencionar a moldura da grelha em carbono (aquaprint) e os pequenos stickers em vermelho que contrastam bem com o branco da carroçaria.

      Na lateral há mais vermelho, principalmente nas capas do espelhos retrovisores. Também as maxilas de travão tem a cor vermelha e escondem as pastilhas Ferodo Racing DS2500 que travam muito bem este 208 GTi, graças também aos tubos de malha de aço e ao óleo Motul de competição. É que este GTi vai muitas vezes à pista e é comum vê-lo a rasgar as curvas do Autódromo do Estoril nos trackday que lá vão sendo organizados (e que já temos algumas saudades de ir espreitar e fotografar). Mas o que dizer mais deste 208 GTi? Conta com a altura ao solo reduzida com as molas h&r de 35mm e umas fantásticas jantes OZ Ultraleggera de 17 polegadas com Yokohama Neova AD08r que vos garantimos, agarra este leão à estrada como se tivesse as garras presas ao asfalto.

     Na traseira olhamos logo para o grande tubo de escape. Das mãos da MetalCustom, a grande saída de escape é tão barulhenta como aparenta ser, dado que o escape é completo e com catalisador desportivo. Ainda assim, diz-nos o João que o som está mais abafado e «sossegado» e mesmo assim cada vez que este 208 GTi foi ligado na sessão, as gaivotas que se iam aglomerando junto ao cais da cimenteira fugiam em bando desconcertadas e até desorientadas. Os farolins têm, tal como na frente, uma assinatura única e mais uma vez a invocar o espírito leonino (dispensamos comentários futebolísticos) que se sente neste 208 GTi. Mais abaixo, o difusor com aquaprint em carbono remata o estilo desportivo deste pequeno e irrequieto automóvel.

     Por dentro continua a respirar-se desportividade (não querendo abusar da palavra, claro). Os bancos não são iguais aos do 30th Anniversary mas também mantêm o corpo no sítio quando o assunto é acelerar e fazer umas curvas. O padrão dos mesmos invoca aos primeiros 205 GTi e os detalhes em vermelho que começam nos bancos e espalham-se para o resto do habitáculo, desde os pespontos até ao quadrante com os aros do velocímetro e conta-rotações. Também nas portas e na consola central existem detalhes de estilo, nomeadamente um degradé de preto a vermelho. O volante típico dos 208 é pequeno, de boa pega e com base achatada e confere um bom grip para condução de «faca-nos-dentes». O tejadilho e pilares forrados a preto conferem um ar mais elegante a este interior.

      E voltamos a sair para falar um pouco do 1.6 THP que migra do DS3 e do RCZ para este GTi. Os 200 cavalos não são curtos mas o João achou que o chassis fantástico deste GTi merecia mais. Como tal, fez algumas alterações debaixo do capot nomeadamente hibridou o turbo, colocou um filtro K&N, admissão Forge e mais uns «toques», resultando nuns agradáveis 250 cv e 380 de binário. E se estes números se fazem sentir. A aceleração é linear e áspera, encosta-nos ao banco sem nos tentar arrancar a coluna. O baixo peso deste Peugeot também ajuda ao dinamismo em curva e isso faz deste pequeno e irrequieto 208 uma boa peça se queremos diversão ao volante e ao mesmo tempo a utilidade de um… bem, de um utilitário.

       Antes de arrancarmos para as fotos em andamento, procuramos saber mais sobre a ligação do João Palma ao seu 208 GTi. O objectivo do João era comprar um desportivo que simultaneamente desse para ser usado como carro de dia-a-dia. Procurou alguns mas o facto dos 208 GTi serem mais exclusivos e ter os detalhes em vermelho contrastando com o branco do exterior, o volante pequeno… tudo detalhes que o atraíram para a aquisição. Além disso, esta ligação fortaleceu-se quando, um mês depois da aquisição, o João foi chamado para um transplante renal. Desde então que o seu 208 GTi o acompanha em todas as deslocações para Coimbra onde continua a ser seguido pela sua condição de saúde. Uma ligação destas é difícil de quebrar e une homem e máquina.

          O sol já se punha atrás da Arrábida e era altura de aproveitarmos a luz para umas rolling shots. Infelizmente a um final de tarde de um sábado, feriado, em que a temperatura do ar rondou os 26ºC, o que não faltava pelas estradas serranas era trânsito. Mas como a capacidade de adaptação é algo que nos caracteriza, resolvemos aproveitar a potência do 208 para fazermos estas fotos num espaço com cerca de 500m, o que tornou esta parte da sessão fotográfica uma das mais engraçadas dos últimos tempos. Satisfeitos com o resultado, rumámos novamente à Figueirinha onde ainda estavam alguns membros do Cars & Friends PT à nossa espera para duas de letra. Um final de tarde agradável, com pessoas que partilham o mesmo gosto que nós, onde não há limitações de marcas ou modelos, apenas interesse em ajuda mútua e aprendizagem.

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