GTR & Sons

    «Andamos muito japoneses!» foi o que respondemos quando há uns dias nos questionaram qual o próximo artigo a figurar no nosso website. Para não levantar muito o pano do palco a pisar nesta sessão fotográfica, controlámos a excitação e fomos dando pequenas pistas ao longo dos dias que mediaram a realização das fotografias e a emissão do respectivo artigo. Claro que sendo um dos mais promissores automóveis dos últimos anos, e por sinal, um dos carros de sonho de muita gente, incluíndo de nós, a experiência de conhecer melhor o Nissan GTR e os seus detalhes e performances tinha de ser vivida intensamente.

    Voltando atrás no tempo, e explicando desde já um dos tapa-matrículas usados e o porquê de estarem em algumas fotos presentes dois outros japoneses igualmente interessantes, temos de falar de um grupo do Facebook. Sim, já sabemos que estão fartos de ler que o Facebook é isto, é aquilo, mas temos de mencionar que foi através desta rede social que surgiu a All Wheels Photography e que foi através deste local da web que conhecemos a maioria dos nossos clientes e amigos. O grupo Cars and Friends surgiu para responder à necessidade de um conjunto de amigos com a paixão automóvel em ter um local onde combinar encontros, pequenos passeios ou idas aos trackdays. Com membros variados quer no núcleo humano, quer automóvel, este grupo tem-se expandido de forma controlada e reunindo alguns dos mais interessantes exemplares de quatro rodas que temos visto, sempre sob a gestão cuidadosa dos irmãos e donos dos Hondas que aqui vos mostramos.

     Os irmãos optaram pela Honda para satisfazer os seus desejos de velocidade. João foi para o Integra Type R enquanto que Pedro preferiu a tecnologia do Civic Type R. Já o pai de ambos optou por manter a fasquia alta e escolheu o fantástico GTR (model year – MY – de 2017) que vos trazemos neste artigo. Isto sim são saídas em família interessantes e já nos imaginamos a acompanhá-los em passeios ao longo de estradas de Serra (bem, temos a Serra da Arrábida bem perto… quem sabe!). Mas antes desse passeio, vamos conhecer melhor o novo modelo da última geração de um dos melhores desportivos do mundo (purismos à parte, este GTR é um verdadeiro tomba-gigantes).

A imponência deste automóvel está patente em qualquer ângulo.

    Também não é difícil. Debaixo do capot conta com uma revisão apurada do V6 de 24 válvulas, bi-turbo de 3800 cc que debita agora 565 cavalos permitindo atingir os 100 km/h em menos de 3 segundos. Rápido o suficiente para vós? A tracção integral e a suspensão ajustável com carimbo NISMO (divisão desportiva da marca nipónica) ajudam a manter o GTR em linha e a ser mais rápido que super-desportivos que custam bem mais. David contra Golias, Tomba-Gigantes, entre outros, são nomes dados pela imprensa um pouco por todo o mundo quando se trata de apelidar o GTR; nós preferimos mesmo a alcunha que acompanha o GTR já há vários anos e gerações, Godzilla (em «honra» da famosa criatura mítica japonesa que terá surgido das radiações libertadas durante a 2ª Guerra Mundial). Haverá melhor «alcunha» para este «monstro» do asfalto?

    Atualmente na sétima geração, o GTR continua a alimentar a imaginação de crianças, jovens e até adultos que cresceram a ver filmes de automóveis. A saga Fast & Furious tornou-se um guia destas gerações, apesar de pouco aparecerem as anteriores ao R34. Contudo, a imagem do GTR tem-se perpetuado como a de um desportivo magnífico, capaz de tornar o mais medíocre dos condutores num piloto de categoria. Além do prodigioso motor e da tracção integral, a nova geração GTR conta com uma excelente caixa automática de dupla embraiagem e uma estrutura rígida que aumenta a eficácia em curva e estabilidade em recta. Ainda assim, dizem os conhecedores que este Godzilla está mais meigo para com o condutor e que até parece ter aprendido algumas maneiras. E tinha de ser, dado que presentemente o núcleo dos desportivos onde o GTR se insere está mais refinado, mais rápido e também tecnologicamente mais desenvolvido.

     Apesar da Nissan chamar a este GTR a sétima geração, parece mais uma renovação estética, tecnológica e dinâmica do anterior modelo que propriamente um novo. Isto porque olhando para o anterior, as diferenças não justificam, por si, a nomenclatura de nova geração. Ainda assim, os técnicos da marca assumem a responsabilidade desta designação, afirmando que o GTR MY2017 é um modelo ainda mais capaz que o anterior, permitindo a entrega de emoções de forma muito mais capaz que qualquer modelo à venda nos dias de hoje. Realmente existem detalhes aprimorados, como o escape em titânio mas com sistema de «silenciamento» para a utilização no dia-a-dia ou a gestão electrónica da suspensão Bilstein (agora com modos Normal, Conforto e Corrida – Race) que pode ser feita facilmente em botões no interior… e ainda temos o ajuste estrutural da carroçaria que melhorou a capacidade de torção da mesma em 5%, melhorando o conforto a bordo. Basicamente, podem concluir que o GTR está mais dócil e suave.

As alterações operadas nesta nova geração são, segundo a Nissan, essenciais a que o GTR se mantenha como o porta-estandarte que é.

    Mas não se deixem enganar. Este melhoramentos fazem parte do tal discurso técnico da «malta» da Nissan para justificar a tal nova geração. Apesar de parecer demasiado, temos de concordar. Este novo GTR está mais rápido, mais eficaz, mais interessante. Mas também está mais confortável (quando tem de o ser) e mais amigo da utilização diária. Esteticamente continua a ser irrepetível. Uma mistura de loucura e racionalidade no desenho deste desportivo marcam claramente as opções estilísticas do mesmo.

     Na frente as diferenças são claras, com um capot redesenhado e mais rígido, uma grelha central mais aberta e de maiores dimensões para fornecer mais ar ao motor e uma zona inferior aerodinamicamente bastante mais eficaz são as principais modificações. Depois temos de contar com as novas e também funcionais grelhas laterais (inexistentes anteriormente) que englobam os leds diurnos que conduzem o olhar para as óticas frontais redesenhadas mas que mantêm o formato anterior.

   Continuando com o frenesim estilístico, a lateral é claramente o espelho do provérbio «em equipa que se ganha, não se mexe.». Praticamente intocada desde a versão concept apresentada em 2001 e depois em 2005, conta com uma nova embaladeira e um reajuste da saída de ar localizada no guarda-lamas frontal. O perfil descendente do tejadilho mantém-se e ajuda à postura desportiva deste modelo, quase iludindo quem o observa por fora, pois parece não ter lugares traseiros.

   As imensas, agressivas e lindissimas jantes de 20 polegadas são uma lufada de ar fresco ao desenho do GTR e mostram-se como vitais no processo de transmissão de toda a potência do V6 para o asfalto, mantendo as borrachas bem assentes devido à rigidez estrutural que possuem. Basicamente, bonitas, funcionais e resistentes, o que podemos querer mais de umas jantes?

Poderosos travões Brembo causam forças «G» bem negativas!

    Seguindo a tradição das nossas análises, chegamos à traseira. As alterações são mais subtis mas de igual importância na temática da eficácia. A zona superior, onde temos o aileron e farolins manteve-se intocável, com os característicos quatro farolins que criam uma assinatura noturna única. Mais abaixo as quatro ponteiras que, como mencionámos anteriormente, são agora parte integrante de um sistema de escape em titânio, são ladeados por um difusor com zona central inferior redesenhada que melhorou a canalização do ar e a aerodinâmica traseira do GTR; também as pequenas «guelras» laterais foram redesenhadas mas mantêm-se no mesmo local. Resumidamente, se formos a conduzir atrás deste Godzilla versão 2017, teremos de estar atentos para perceber que é mesmo o último modelo.

     Sentados no banco Recaro em pele bicolor (vermelho e preto, que bem fica aqui neste GTR) relembramos a primeira experiência de condução da Playstation. Apesar desta nova versão ter bastante menos botões e adereços, tem ainda mais detalhes e extras para quem é fã dos gadgets e apps de condução, o que causa verdadeiro deslumbramento a quem, como nós, gosta destas coisas. Mas vamos a detalhes importantes. Uma das críticas apontadas ao anterior modelo era a posição das lâminas de mudança de velocidade que passaram então da coluna de direcção para o volante.

    No centro existe um novo e eficaz ecrã tátil multi-funções responsável pela tal diminuição dos botões visíveis no tablier que faz uma excelente dupla com o quadrante a acompanhar o movimento de ajuste da coluna de direcção e uma pequena maravilha central ao volante que acompanha a condução e transmite as informações mais pertinentes para que o feeling da Playstation não se perca. E que bem sentados estamos ao volante deste desportivo. Perfeitamente encaixados nos Recaro e com todos os controlos facilmente alcançáveis, vemos a facilidade de utilização deste GTR. E até o acesso aos bancos traseiros bem como o conforto nestes foi melhorado e apesar de não ser o local mais espaçoso de sempre, consegue acomodar dois adultos (não podem é ser jogadores de basquetebol).

    Com o sol mais alto, resolvemos tirar mais algumas fotos. Apesar de termos estado algumas horas a realizar a cobertura fotográfica deste fantástico desportivo, pareceram breves minutos. A conversa sempre animada, as várias posições em que pedimos para colocar os automóveis e os locais interessantes junto ao rio Tejo acabaram por resumir esta manhã. Contudo, era hora de fazer algo que tanto gostamos: fotos em andamento. As célebres rolling shots iriam ditar o fim desta sessão e como tal, aproveitámos a hora de almoço menos movimentada nas ruas de Lisboa para nos despedirmos e podermos fazer as referidas capturas fotográficas. Só temos de agradecer a disponibilidade da família R que se prontificou a disponibilizar os seus automóveis numa manhã de fim-de-semana para que nós podessemos trazer este artigo até todos vós. Quanto ao GTR… que hino à indústria automóvel!

GTR & Sons... uma tripla que fica bem em qualquer garagem de um entusiasta automóvel. 日産GTR、ゴジラ!
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