Focus Rally Sport

    Olá e adeus. Sim, podemos começar desta forma ambígua e estranha o artigo sobre um dos desportivos mais aguardados dos últimos anos no seio dos automóveis desportivos e do muito competitivo mundo dos hothatchback onde o Civic Type R e o Megane RS continuam a ser os reis da festa. Depois temos claro, o incontornável Golf GTI que para muitos é o exemplo a seguir e o recém-chegado Hyundai I30N que espantosamente, é um excelente automóvel! Assim sendo, numa listagem de automóveis fantásticos e impressionantes no que fazem, quase poderíamos dizer que não fazia falta mais nenhum modelo (sim, ainda temos os AMG, RS e M, se considerarmos o diferencial de valores de aquisição) mas eis que em 2016 a Ford resolveu lançar um novo RS.

     A sigla RS – Rally Sport – estreou-se em 1970 e desde então decora as traseiras dos Ford mais apimentados e atrevidos e desde esse ano que os desportivos da oval azul fazem sonhar os jovens mesmo antes de terem a licença de condução. Quem não se lembrar o Ford RS2000? Ou do Sierra RS Cosworth que mesmo com a versão sedan é bastante apetecível? Para não falar de um dos mais emblemáticos, o Escort RS Cosworth, apelidado de Cossie? Resumidamente, são duas letras que fazem bater mais rápido o coração dos aficionados dos desportivos e que já decoraram mais de 20 modelos diferentes da marca. Tracção dianteira ou integral, traseira também… modelos icónicos repletos de tecnologia e acertos aerodinâmicos avançados para a época, cada vez que um novo RS é anunciado, o mundo suspende a respiração e fica na expectativa.

     Infelizmente, é a última vez (esperamos é que a Ford mude de ideias) que o fazemos por esta sigla na traseira de um Focus dado que a nova geração já está nas ruas mas sem decisão de uma versão de topo de gama como o RS. Assim sendo, temos nesta terceira geração do RS o «cantar do cisne» no que diz respeito a este modelo. Talvez por isso tenham introduzido uns mimos interessantes e nunca antes utilizados neste modelo, como por exemplo a opção de podermos fazer drift. Ok, não é uma coisa essencial mas é algo que faz sempre elevar a palpitação e fazer mostrar os dentes em sorrisos rasgados. É que tem mesmo de ser, dado que num pequeno compacto andar a soltar a traseira em derrapagens controladas estava, até ao momento, reservada apenas a grandes condutores arraçados de Ken Block.

       O Focus RS MK3 é vistoso. É ruidoso. E é fantástico. Não queremos ser subjectivos por aqui mas quando ficamos literalmente apaixonados por um automóvel, mesmo que não nos estejam a er a escrever o artigo, podem imaginar-nos de sorriso rasgado, a ouvir uma boa banda sonora e a fazer pausas curtas para espreitar os vídeos no YouTube. E por falar no YouTube… no final deste artigo têm uma surpresa que há muito andavamos para começar a fazer e que, dado que é a despedida da sigla RS no Focus, pensamos que merece o extra do vídeo. Mas… leiam o texto, vejam as fotografias e no fim, têm tempo para contemplar este Focus a rolar nas estradas da Herdade do Rio Frio e a fazer umas pequenas manobras.

      E dado que um dos grandes atributos deste Focus é mesmo a agilidade e a forma como negoceia uma estrada sinuosa, começamos logo por esse detalhe deste RS. Comparativamente aos concorrentes, é mesmo o mais ágil. Apesar de nós ainda não termos andado em todos os concorrentes, conhecemos os principais (ok, falta-nos o novo Megane RS) e podemos sublinhar o que dissemos. Por exemplo, o M2 é mais divertido por ter, obviamente, a tracção traseira. O Golf e o RS3 seguram-se melhor em curva e quase parecem ir sobre carris, já o Type R recorre a uma transmissão mais directa e curta que transmite maior velocidade em condução sinuosa mas no fundo, o Focus acaba por ser comparado a uma chita atrás da sua presa, mesmo com mudanças repentinas de direcção, persegue o objectivo sem aliviar a velocidade.

        E vos garantimos uma coisa: a potência sente-se e recorda-nos que não precisamos de ter 600 cavalos debaixo do capot para sentirmos uma imensa alegria ao volante. As emoções e sensações que este Focus RS nos transmite são únicas e difíceis de superar e acho que um de nós está verdadeiramente apaixonado pelo carro, dado que enquanto escrevermos estas palavras, anda nos sites de comércio automóvel a ver os preços. E de quem é a culpa? Dos 345 cavalos que o 2.3 Ecoboost (que já conhecemos do Mustang que fotografámos há uns anos) debita e faz com que este 4 cilindros seja o motor perfeito para este chassis. Não tem potência a mais nem a menos e é de uma suavidade no funcionamento que os faz pensar se temos o motor ligado até… ouvirmos o escape.

        Com tanta escrita, quase nos esquecemos de dizer que este Focus partilha a garagem com um Integra TypeR (que colocaremos online novamente em breve) e com uma «cabra do monte», um Wrangler bem artilhado para trepar muros e cruzar rios. E porque fazemos esta referência? Porque se há outros na garagem, estamos a falar de um verdadeiro petrolhead que é exigente no que tem e por alguma razão escolheu o Focus para ser um dos seus brinquedos. Quatro portas, bagageira volumosa, espaço a bordo para quatro adultos viajarem confortavelmente e um motor que, com jeitinho no acelerador, até consome relativamente pouco (notem que escrevemos «relativamente») faz do Focus RS um verdadeiro all rounder para aqueles que gostam de emoções fortes ao volante sem terem de recorrer às marcas de luxo e ao suposto status que imediatamente vem com elas.

      Do ponto de vista estético chama a atenção, especialmente neste Nitrous Blue da Ford que, sendo a cor de lançamento acaba por ser a que melhor faz sobressair as curvas dos acertos aerodinâmicos e dos pára-choques específicos nesta versão. E se a cor chama os olhos, os detalhes convidam a observar com atenção e perceber logo porque é que o spoiler sobe daquela forma ou porque é que a frente tem entradas de ar tão massivas como tem. Depois disso, é afastarmo-nos um pouco e ver a imagem geral de um veículo desportivo, compacto mas com os detalhes essenciais para não ser confundido na rua com um qualquer carro de família (embora este também o possa ser).

      E já falámos do som deste RS. O motor pode ser até silencioso e amigo do utilizador mas depois atrás deste Focus a história é outra. A dupla saída de escape engrossa o cantar e ajuda a aumentar a interpretação de velocidade a bordo, principalmente quando se entra numa curva e o pé direito alivia o pedal e se ouve aquela «pipoca» a estalar, tal como deveriam estar a ouvir nas vossas casas para depois verem o vídeo que temos no final do artigo (mais uns parágrafos abaixo). Resumidamente, temos um bom motor, uma estética bem conseguida e uma sonoridade que tal como a dinâmica, surpreende e cativa – assim sendo, podemos dizer que estamos perante o automóvel perfeito. Quase…

     A suspensão é fenomenal e dado que tem um sistema de controlo de amortecimento adaptativo confere uma confiança acima da média ao volante mas acaba por sacrificar o conforto a bordo. Mas atenção, já andámos em carros não desportivos e recentes com pior suspensão. Apenas não permite que a coca-cola fique dentro do copo quando o nosso pendura a tenta beber em estrada aberta. Ninguém o manda, não é? Mas também vos dizemos, desde já, que este detalhe deve ser, provavelmente um dos poucos a que temos de apontar o dedo de uma forma menos positiva. Bem, estamos a abafar neste sector os consumos porque não faz sentido falar disso quando estamos num artigo de um carro desportivo com um motor de 2.3 litros que até é usado num Mustang. Mas se tiverem minimamente interesse, espreitem as fotos do quadrante e tirem as vossas conclusões, tendo em conta que os valores que lá estão foram feitos no dia da sessão fotográfica, debaixo de um calor bem capaz de derreter as máquinas fotográficas.

       Bem, o que nos fica a faltar falar? Sim, os modos de condução são três: Normal, Sport (desportivo) e Track (pista) sendo que a maioria dos condutores do Focus RS usa, mesmo no dia a dia, o Sport para que não se esqueçam que estão num desportivo pois afinal mais o som do escape e melhora a resposta do acelerador mas se estivermos no trânsito para a ponte num dia de semana, talvez o Normal seja mais proveitoso e amigável, principalmente para os outros que partilham a fila de trânsito. No interior temos de destacar os excelente Recaro e… bem, pouco mais porque retirando os manómetros no topo do tablier, a inserção RS no volante e a placa numerada, o habitáculo deste Ford é semelhante aos outros Focus. Mas também não é preciso cores berrantes ou detalhes que nos distraiam da estrada e do que temos para fazer ao volante. Felizmente que se essas distracções acontecerem, temos uns excelentes Brembo para corrigir potenciais problemas que surjam.

     Estamos a escrever este artigo e a pensar que não podemos alongar muito a conversa dado que temos ainda de mostrar o tal vídeo. Apesar de sempre termos defendido que a produção vídeo é algo que provavelmente não faríamos, a necessidade de completar o nosso trabalho fez com que riscássemos o «não» dessa premissa e nos fizesse deitar mãos à obra. O nosso primeiro trabalho está feito e está no nosso canal do YouTube ao qual convidamos que visitem para que vejam outros trabalhos nossos e que subscrevam para que possam estar atentos a novidades. Esperamos que este Focus RS seja o primeiro de muitos vídeos feitos a completar artigos, e agradecemos ao dono deste RS a disponibilidade de perder uma tarde quente de sábado para que possamos andar entretidos a conhecer os cantos a este fantástico desportivo. Gostávamos do Focus RS, agora só sonhamos com um na garagem!

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