BlackOut A45

    AMG. As três letras que há muito significam potência, dinâmica, luxo e agressividade num só automóvel. Já falamos da história da AMG bem como da sua fundação num artigo dedicado a um irmão deste A45 AMG (A45) e como tal, não nos faz sentido voltar a escrever o mesmo pelo que convidamos a espreitarem o artigo que referimos para ajudar no enquadramento histórico deste A45. Este A45 surgiu-nos no decorrer da nossa parceria com a Garagem87 para mostrar o trabalho feito na pintura de toda a zona da frente e claro, correcço de pintura e revestimento cerâmico. E o que é melhor para mostrar isso que num automóvel preto e à chuva? S- Pedro reservou-nos uma janela de menor precipitação e nós aproveitamos para captar as fotografias que vos mostramos. Combinamos na Charneca da Caparica e rumámos até à zona dos Capuchos, na Costa onde a manhã de domingo cinzenta não chamava muita gente à rua, o que nos permitiu aproveitar bem o espaço disponível.

     Lançado há já quase 8 anos em Portugal, o mais pequeno da família AMG continua a ser um sucesso de vendas, mesmo no mercado de usados. A depreciação do seu valor foi, obviamente, bem mais contida que a dos modelos diesel e restantes a gasolina e como tal, se hoje percorrermos as páginas de usados, não encontramos um exemplo com um preço inferior à metade do valor em novo, o que diz muito sobre este não tão pocketrocket da marca alemã. Isso também é fácil de justificar, dado que por menos de 40 000€ podemos ter o luxo de um Mercedes aliado à dinâmica da AMG, extras que ainda hoje são atuais e claro, um motor 2.0 turbo de quatro cilindros e injecção directa a debitar 355/360 cavalos de potência. Nos dias que correm já é um valor considerável mas na altura em que saiu, apenas o BMW M135i e mais tarde o Audi RS3 se aproximava desses valores e claro, da resposta dinâmica que este AMG entrega.

     A assinatura da casa desportiva da Mercedes começa logo quando ouvimos este Classe A chegar. O som do escape de origem já é bastante expressivo e único, mas neste A45 temos uma linha completa em inox com panela final da nossa parceira Underground Division que «engrossa» o cantar do motor e claro, não dispensa umas boas pipocas em cada passagem de caixa… e em cada desaceleração… e em cada toque no pedal. É em demasia, alguns diriam mas nós gostamos. Gostamos muito! E a julgar pela quantidade de gente que na rua principal da Charneca viravam a cabeça para espreitar o que ia a fazer tal barulho, pareceu-nos que há mais a gostar. No interior o som é abafado pela excelente qualidade de construção da Mercedes mas é audível na quantidade certa. A tempestade de trovões é cá fora!

     A Mercedes desenhou, há muitos anos, uma versão mais acessível e familiar dos seus modelos, o Classe A. O aspecto de monovolume com um interior decalcado do parente Classe C e uma péssima imagem depois dos testes NCAP da prova do alce onde os vários Classe A submetidos a teste capotaram, foi um fracasso de vendas e nem com versões especiais alusivas aos campeonatos de Fórmula 1 o sucesso melhorou. Assim, com esta segunda geração, a pressão junto da comunidade fã dos Mercedes era grande. Esta geração trouxe uma versão jovial, com design simples mas eficaz e que nas versões mais equipadas são escolhidos em vez das versões maiores do Classe C e E. Com o surgimento da versão CLA e da CLA shootingbrake o leque de ofertas aumenta e rapidamente se tornou o modelo da Mercedes a vender mais na história moderna.

       Assim, com tanto sucesso em torno de um automóvel, era óbvio que a versão AMG também seria um sucesso, mesmo com o valor de venda bem mais acima dos modelos base. Contudo, oferece tudo o que uma versão normal oferece, com toda a panóplia de extras da linha AMG que já falámos. Tanto sucesso fez que em modelos normais, a gasolina ou diesel, a procura de peças e transformação estética sempre foi o calcanhar de Aquiles para quem tem um A45 AMG que na rua, quase que é confundido com um simples A160 com bodykit AMG. Apenas os mais atentos percebem que se trata de uma versão apimentada quando observamos detalhes como o lettering no guarda-lamas, a forma como o intercooler está montado ou claro, quando um motor AMG é ligado.

      O visual deste AMG «grita» agressividade em qualquer ângulo. Os pára-choques com entradas de ar maiores e junto a elas pequenas peças plásticas que ajudam a encaminhar o ar para os locais certos são o primeiro ponto de atracção dos nossos olhos e levam-nos a reparar no intercooler da Airtec, a espreitar bem no centro da frente deste A45. Os canards do pack aerodinâmico AMG acentua a intenção de andar depressa deste Classe A, algo que é óbvio num carro com as siglas que este tem. Ainda na frente, destacamos o lip inferior da MaxtonDesign, que hoje em dia é das principais marcas fornecedoras de peças para personalização de vários modelos. O emblema Mercedes com fundo vermelho corta o aspecto murdered-out deste automóvel e combina com imensos outros detalhes no mesmo tom, quer no exterior, quer depois no habitáculo.

     O cunho desportivo é acentuado na lateral com as linhas do kit AMG. Saias laterais e as molas H&R ajudam ao visual diminuindo a altura ao solo e claro que as massivas OZ Ultrallegera de aperto central aguçam o apetite de andar depressa neste AMG. Os travões ventilados e perfurados AMG com a maxila também em vermelho continuam a ideologia inicial do red on black e claro que se tornam o centro das atenções quando apreciamos de perfil este A45. Com os vidros escurecidos e linhas vincadas, este Mercedes destaca-se quer num ambiente mais urbano como nas primeiras fotos, quer numa zona mais natural onde puxámos um pouco pelos contrastes e pelo lado mais artístico que podemos ter numa sessão fotográfica.

     Atrás o que importa é mesmo o componente aerodinâmico. Temos o spoiler traseiro da AMG com um pequeno acrescento da MaxtonDesign, as quatro ponteiras responsáveis pelo tal cantar deste A45. Com as rodas a espreitar em cada lado do pára-choques, o apoio aerodinâmico do difusor e o aspecto musculado do spoiler na mala, não há dúvidas que se virem esta traseira a afastar-se rapidamente de vós, é mesmo um AMG e não um Classe A com «plásticos», especialmente este, com afinação eletrónica da TechDynamics, dumpvalve da Forge e admissão da Mishimoto.

     Aproveitando que a chuva ainda não caía com intensidade, abrimos a porta para espreitar o habitáculo deste AMG. Por aqui reina a qualidade, a pele e alumínio juntamente com a pele, alcântara e detalhes em carbono. Muitos detalhes para captar, sendo que optámos por fazer umas fotografias mais gerais, para dar a entender o ambiente desportivo que presenciamos. Os bancos são excelentes no apoio lombar e pernas, impedindo que nos movamos em demasia em condução desportiva. Podiam ser mais confortáveis, mas estamos perante um modelo desportivo e alguma coisa tem de ser sacrificada em prol da performance. Mas desenganem-se, está-se muito bem ali. As patilhas no volante, o quadrante com uma mistura de leitores analógicos e digitais e o sistema de infotaiment ainda se mantêm atuais, mesmo com a grande investida das marcas neste setor, nos últimos 4/5 anos. Com um interior predominantemente preto, o tecto de abrir ajuda a iluminar o habitáculo, fazendo destacar os diversos detalhes a vermelho.

      Dinamicamente este A45 tem tracção integral o que em dias como o de hoje dá muito jeito, embora numa condução tranquila apenas seja utilizada a tracção dianteira. Associado a isso, a transmissão automática de 7 velocidades e de dupla embraiagem combina bem com os modos de condução disponíveis, principalmente no modo mais tranquilo e «poupado» (C) com resposta mais serena do acelerador e claro, ativação do sistema start-stop. A seguir, o Sport (S) já esquece os consumos e apimenta a resposta do acelerador. Engrossa a voz do escape (que neste caso já está sempre bem afinado) e claro, permite uma troca de velocidades mais rápidas. Associado a isso, temos as patilhas no volante, que permite fazer a gestão manualmente das mudanças, envolvendo mais o condutor na condução. Para ajudar a essa envolvência, podemos ainda desligar completamente o ESP mas é daquelas coisas que não aconselhamos, a menos que saibam muito bem o que estão a fazer e principalmente, num local fechado (pista/autódromo).

     Uma sessão fotográfica feita para a Garagem87 de forma a mostrar o que se faz na área do cuidado automóvel, numa manhã de domingo com chuva e claro, de forma a cumprir a diretiva de recolher obrigatório em vigor. Conhecemos o Tiago e a sua namorada e rapidamente percebemos que dali virão mais sessões fotográficas e uma ligação mais do que cliente, de amigo. A simpatia e boa disposição dominaram sempre mesmo com o frio que se fazia sentir. Com isso, decidimos ainda tentar fazer umas fotos em andamento sem comprometer e sem riscos, com as quais acabamos este artigo. Venham os próximos trabalhos, que a coisa promete.

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