208 GTi 30th

Já estavamos em divida nesta secção, certo? Não repararam em que zona do nosso site estão? Basta olhar para cima… estamos na Era Moderna e apesar das excelentes entradas que temos tido por aqui, faltava-nos o charme de um desportivo francês para fazer frente aos alemães, italianos e japoneses que por aqui vão dominando. Sem diminuir uns e outros, se há carros que os franceses sabem fazer são os pequenos desportivos. Basta ver o percurso competitivo de carros como o Clio RS, o Citröen Saxo e o saudoso 205 GTi, para mencionar apenas alguns. E é neste último que temos de focar a nossa atenção, dado que o sujeito deste artigo é clara e felizmente muito inspirado no clássico da marca. O 208 GTi que vos trazemos neste artigo «bebe» toda a sua pureza desportiva no 205 com a mesma sigla, de uma forma ainda mais especial que o «normal» 208 GTi. Digam olá ao Peugeot 208 GTi 30th Anniversary.

    Doravante denominado 208 GTi 30th (para abreviarmos um pouco a coisa), este pequeno pocket-rocket é uma delícia de olhar e de conduzir. E este último facto é bem justificável, dado que foi construído pela divisão desportiva da marca francesa, a Peugeot Sport e comemora, como o próprio nome indica, os 30 anos do lançamento do 205 GTi, quiçá um dos mais emblemáticos pequenos desportivos de sempre. E sendo que a equipa por trás dos detalhes técnicos deste 208 é a mesma do RCZ R, por exemplo, só podemos esperar largos sorrisos atrás do volante – é, em todos os pequenos detalhes que o diferenciam do GTi «normal», ligeiramente melhor. Mas vamos a dados mais concretos.

Sóbrio e simultaneamente desportivo.

   Ao contrário de muitas outras marcas, que gostam de fazer versões de aniversário apenas com edições limitadas de cores ou detalhes estéticos, este 208 GTi beneficiou de um conjunto de upgrades mecânicos, onde destacamos o diferencial Torsen que permite que a potência do motor (que agora debita 208 cv) mantendo a cilindrada (1.600 cc Turbo) e restantes detalhes globais. Numa aceleração parada, até aos 100 km/h não parece mais rápido que o 208 GTi «normal» mas as medições oficiais tiram uns décimos ao 208 GTi 30th. Detalhes que num carro destes pouco interessam pois, tal como nos diz o Tiago, a compra prendeu-se com a exclusividade e estética que este GTi tem. O facto de ter mais de 200 cv num carro compacto e a exclusividade (37 unidades conhecidas em Portugal) juntamente com a diversão ao volante ditou a opção.

      Apesar de ser já um carro muito interessante, o Tiago fez-lhe algumas modificações para uma melhor performance e dinâmica. O filtro K&N, downpipe e DV valve da Forge com uma afinação electrónica fazem este 208 GTi ter agora 220 cavalos, uma potência fiável e que é otimizada pelo excelente chassis que a Peugeot Sport afinou, baixando-o em cerca de 10mm e alargando as vias (22mm na frente e 16mm na traseira). Juntamente com isto, as molas especialmente afinadas para este chassis e motor e um novo escape único desta versão fazem deste desportivo um caso sério de diversão ao volante. Mas uma nota para a Peugeot Sport: numa próxima, metam mais «barulho» no escape, este 208 GTi 30th merece.

    E se anda bem, também trava bem. De origem vem equipado com uns fantásticos travões Brembo de 323mm (!) – dos maiores do segmento; mas também aqui o Tiago optou por otimizar a travagem na altura da troca de discos. Manteve o diâmetro mas colocou discos perfurados e pastilhas Brembo de maior performance, o que aumenta a confiança ao volante. E o que é um desportivo sem uma boa dose de curvas? Bem, nesta sessão não tivemos oportunidade de experimentar este pequeno leão numa estrada mais sinuosa, mas do que vimos e sabemos que tem feito (serras), é um carro equilibrado e muito divertido de conduzir. Impressiona pela sua agilidade e capacidade de se manter sobre «carris» em momentos de maior exigência (graças ao controlo de tracção pouco incisivo que deixa o diferencial fazer a sua magia) e devido aos excelentes pneus montados e às tais afinações da Peugeot Sport. É firmar o pé no acelerador à saída de uma curva e este 208 GTi 30th vai. Sem dramas, sem aflições, sem «influências tecnológicas»; é aqui que o espírito do 205 GTi está mais presente.

   Esteticamente falando (e tendo em conta que já viram nesta fase do artigo todos os ângulos deste GTi), o 208 que aqui mostramos não tem (felizmente) a pintura opcional de dois tons (frente preta, traseira vermelha) que nos faz lembrar os tempos do Need For Speed Underground (grande jogo, já agora!) mas está pintado numa cor fantástica (e difícil de fotografar) chamada Black Perla Nera. Fancy, right? Um nome pomposo para uma pintura que merece atenção e que infelizmente as nossas fotografias têm dificuldade em mostrar. Os reflexos roxos e vermelhos dos flocos metálicos destacam-se ao sol e são uma delícia de contemplar. Além da cor, também os pequenos detalhes contam. A pequena faixa vermelha na frente acentua o carácter desportivo deste Peugeot e os pequenos cromados da grelha superior conferem um ar mais sério, mais imponente. Juntamente a isto, as foto-incisões no pilar C da Peugeot Sport anunciam que este 208 GTi não é a versão «base».

     Na traseira o cromado da base do pára-choques quase parece perdida, dado o look desportivo deste compacto. Mas fica bem, especialmente junto da dupla ponteira de escape também ela cromada e do pequeno friso com a marca Peugeot gravada junto ao vidro traseiro. Os farolins escurecidos com uma assinatura noturna fantástica (a imitar as garras do leão) são o complemento certo para esta secção, que não se quer abusada mas sim eficaz e distinta q.b., sem cair em exageros ou abusos visuais. Ah claro, a sigla GTi faz as apresentações, caso consigam chegar-se à traseira deste 208 numa qualquer estrada de Portugal.

      Já analisámos o andamento, a travagem e até os detalhes estéticos. Está na hora de aproveitar o sol baixo do pôr-do-sol para irmos até ao interior. Aqui há mais desportivismo para vermos. O grande destaque (quer visual, quer em tamanho) são as baquets herdadas do 206 RC (outro excelente desportivo da marca francesa), que conferem uma excelente habitabilidade e segurança em condução mais desportiva. O apoio lombar e das pernas é excelente e até chega a «complicar» a entrada dos passageiros para os bancos da frente. Nada que, com treino, não se faça bem! Depois o volante. Conhecida a sua irreverência, este volante tem o mesmo «problema» dos restantes 208, que é o facto de em determinadas posições do banco, tapar o velocímetro e conta rotações. Mas também se torna uma excelente desculpa a dar aos agentes da autoridade se formos mandados parar por excesso de velocidade… «Não vi a velocidade a que ia, Sr Agente!».

     O velocímetro marca 240 km/h e este 208 GTi chega lá, até com alguma facilidade. Felizmente ainda há quem faça carros que atinjam os limites do velocímetro (em circuito, claro), ao invés dos que marcam 280 km/h e só chegam aos 230… O fundo do quadrante a imitar o carbono, os aros vermelhos, a sigla GTi no volante e a excelente manete de velocidades casam na perfeição com o espírito que aqui se vive a bordo. Ah e quase nos esquecíamos dos tapetes vermelhos, algo já tradicional nos modelos desportivos da Peugeot (pena sujarem-se com facilidade). Por fim, a linha vermelha do tablier e bancos e os pedais em alumínio acentuam o aspecto premium-chic que, por momentos, nos faz esquecer estarmos num Peugeot 208.

Num ângulo ou noutro, este 208 GTi espalha um charme único.

   Um pequeno desportivo potente, ágil e divertido de conduzir, confortável e até económico em condução mais calma, com uma estética capaz de se diferenciar dos restantes 208, mas sem cair em exageros, mantendo a sobriedade e produzido numa edição limitada global de 800 unidades. E falta mencionar que foi apresentado no primeiro dia do Festival de Goodwood em 2014, tendo chegado à Europa no final desse mesmo ano. Resumindo, temos aqui presente um automóvel especial, criado para honrar o mítico e único Peugeot 205 GTi e na nossa opinião, fá-lo na perfeição. E a honra acaba por ser nossa, de o podermos juntar ao nosso portefólio e claro, poder conhecer mais sobre a fantástica peça que este 208 é. Mas se acham que ficamos por aqui no capítulo dos desportivos franceses, estão enganados. Au revoir, petit lion.

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