2 M2

    Sempre ouvimos dizer que «Um é pouco, dois é bom, três é demais». Dependendo do objecto em questão, este provérbio é quase perfeito tendo em conta o que aqui vos trazemos, se bem que se fosse três, nós também não nos fazíamos de rogados. E rogar foi algo que nos apeteceu fazer, nomeadamente, rogar uma praga ao S. Pedro que em pleno verão, nos decide brindar com um belo dia de nevoeiro e chuva quando decidimos levar estas duas «bestas bestiais» serra acima. Rapidamente invertemos este negativismo ao ver os bólides que aqui figuram a dançar em cada curva (e rotundas… ai como estes automóveis adoram rotundas!).

   BMW M2. Apenas cinco caracteres bastam para definir um dos melhores desportivos da década. E não somos apenas nós a afirmar isso, aliás, basta passear pela internet para ver vídeos, textos, artigos variados onde apenas um factor é comum: é que o M2 é mesmo bom! Ora se é bom, e para sermos um pouco diferentes dos tais vídeos, textos e artigos, experimentamos convidar dois M2 para uma tarde na Serra de Montejunto. E de pensar que esta bela tarde surgiu uns dias antes num comentário a uma foto onde ambos os M2 apareciam…

   Bem, que a BMW sabe fazer desportivos já todos nós sabemos. A utilização da tracção traseira aliado a uma distribuição de pesos sempre ideais passando por um chassis afinado são equipa ganha e claro que a marca bávara nisso não mexe. Apesar dos tempos modernos serem mais exigentes com as emissões e com os padrões mecânicos (o que fez com que os V10 e V8 usados nos M’s deixassem de poder ser utilizados), não afectaram a capacidade dos designers, engenheiros e mecânicos da BMW em lançar modelos que continuam a acompanhar as exigências dos condutores e fãs da marca. E este M2, lançado em finais de 2015 veio provar isso mesmo. Concentrado, curto e até algo «anafado», o mais pequeno dos M é um automóvel que prova que o tamanho pouco importa nestas coisas dos desportivos.

O emblema da hélice está muito bem entregue neste desportivo da BMW.

   O M2 é obviamente, baseado no Série 2, sub-família criada pela marca bávara caracterizada pelas versões de 3 volumes do compacto Série 1 (coupé e cabrio) mas para albergar muitos componentes mecânicos dos irmãos mais potentes (M3 e M4), viu a largura aumentar em 80 mm em cada eixo o que combinado com a distância entre eixos curta, resulta num automóvel que até parado, transmite velocidade, agressividade, desportividade.

    Os genes dos anteriores M estão todos combinados num pacote mecânica e esteticamente apetecível. O look não cansa, pois o M2 não faz uso de asas aerodinâmicas gigantes ou de entradas de ar espalhadas um pouco por todo o lado. O que o M2 tem é uma coerência estilística que é raro ver hoje em dia. Não é o automóvel mais bonito da atualidade, mas também não precisa de o ser, tal como não precisa de pinturas berrantes para se fazer notar. Vos garantimos que por onde passam, estes dois guerreiros do asfalto fazem-se notar (ouvir, vá!). E com tanto por onde olhar (principalmente em duplicado), por onde começar?

De qualquer ângulo o M2 mostra a sua agressividade.

     Antes de mais, perceber o contexto do local das fotos perante os M2 é algo que pode não ser óbvio. O ponto de encontro em Alverca serviu para perceber que estes dois automóveis, juntos, servem para muitos lavarem as vistas e tirarem o telemóvel do bolso para registar o momento. Para nós serviu para percebermos que olhar pelo espelho retrovisor e ver constantemente estes BMW’s é algo quase ameaçador. Esta visão ficou ainda mais interessante a subir a serra.

     Com o factor conhecimento do nosso lado, pudemos puxar pelos BMW nas curvas de Montejunto, com o constante navegar da traseira a fazer-se notar na cara dos condutores (sim, o sorriso não engana). Abortado o local de eleição para as fotos (o topo da serra) devido ao nevoeiro intenso, o segundo spot revelou-se muito interessante para as fotos, junto a uma zona militar, pouco movimentada àquela hora.

    Parqueados que estavam os BMW, começamos a ver o jogo das diferenças. A primeira, obviamente, é a cor. E a decisão de qual o mais bonito é longe de ser fácil pois cada um deles atrai os olhares de uma forma diferente, jogando com os contrastes, obrigando-nos a jogar também com os locais das fotos. A frente deste M2 é responsável pela tal agressividade. As generosas entradas de ar do pára-choques e «rins» ajudam o motor a respirar e dão a ilusão de boca aberta deste BMW. Para a tal desportividade que falamos, conta também muito os guarda-lamas alargados e os ângulos marcados da zona inferior e lateral do pára-choques.

Travões potentes mesmo no eixo traseiro.

   Na lateral é a pequena guelra importada do M4 que marca a diferença para os Série 2 banais. A discreta saia lateral une a estética das típicas jantes BMW cujo desenho é uma evolução já necessária das jantes utilizadas no M6 (E63) mas que casam na perfeição com a silhueta compacta deste M2. O aspecto de «ataque» constante é marcado pela posição das rodas, junto aos cantos do carro e acentuado pela bagageira curta e capot alongado, dando a sensação de se tratar de um automóvel bem mais pequeno do que na realidade é.

    Com isto, chegamos à traseira onde mais uma vez a subtileza BMW casa na perfeição com a desportividade da divisão M. No topo da bagageira, um discreto mas necessário lip acentua a traseira empinada deste M2; os reflectores na vertical (algo novo nos M) fazem a traseira mais larga e acentua a largura dos painéis laterais traseiros, conduzindo o olhar daí para o difusor e para as quatro saídas de escape que cantam tão bem que nos deu vontade de ter o motor ligado durante toda a sessão. E é do motor que falamos em seguida.

O estábulo.

    Apesar de sermos acérrimos defensores do estilo de condução pé-na-embraiagem-mão-na-alavanca-de-velocidades, não podemos deixar de elogiar o excelente trabalho que esta caixa DCT de 7 velocidades faz ao entregar toda a potência ao eixo traseiro. Nú e crú, o chassis dos M2 é uma obra prima da engenharia e trabalha na perfeição com os componentes herdados do M4, nomeadamente com a suspensão (trabalhada para encaixar no espaço mais diminuto do M2), permitindo longas derivas de traseira com um controlo soberbo do volante. Os 4,3 segundos que demoram a surgir os 100 km/h no velocímetro podem não parecer nada do outro mundo comparando a outros desportivos, mas é a forma como os 365 cavalos são espicaçados que é tão interessante neste M2.

   E onde estar para perceber a forma como o M2 cavalga entre cada curva? Ao volante é claro! E é no interior que encontramos mais algumas (poucas diferenças) entre estes dois exemplares. Com um ecrã maior (com mais informações e funções disponíveis também) e o volante M Performance, o M2 preto está configurado para uma utilização mais intensa no contexto desportivo e de uso em pista. E sim, destacamos imensamente o volante. É magnífico, a forma como se cola às mãos, as luzes indicadoras de mudança de velocidade (com as patilhas, claro!) e o detalhe do carbono e das linhas com a tradicional cor azul e vermelha fizeram as nossas delícias, claramente.

    No M2 cinzento, o volante é o original e o ecrã mais pequeno mas igualmente útil e de fácil interacção com o botão presente na consola central. O que ambos têm em comum é a excelente posição de condução e o conforto a bordo e a qualidade do som emitido pelo sistema Harman/Kardon que inunda o habitáculo de belos graves quando a melodia do motor e escape não são necessários.

As «ancas» mais largas denunciam a atitude destes M2.

     Com a chuva a diminuir, começaram a surgir também os turistas que procuravam uma melhoria do tempo para passar pelas estradas da Serra de Montejunto, pelo que era hora de nos fazermos à estrada e aproveitar ainda para algumas fotos em andamento. Novamente com o camera-car na frente, a dança dos M2 nos espelhos retrovisores lá continuou e a sensação de estarmos a fugir de dois cães de caça era tão real que nos provocava nervoso miudinho, especialmente na altura de tirarmos as fotos. Mas valeu a pena? Pensamos que as fotos falam por si!

    Há muito tempo que queríamos entrar nos BMW M mais recentes e ter um par de M2 para fotografar num cenário tão único quando deslumbrante serve na perfeição para esta entrada em campo. Um automóvel de carácter único, feito por pessoas que não perderam o encanto pelos desportivos e que alia uma direcção precisa a um chassis ímpar e a um motor que não sendo dos mais potentes, permite obter um dos maiores sorrisos ao volante da atualidade. Um verdadeiro M, o M2 é o M a ter atualmente!

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